domingo, 3 de setembro de 2017

Essa quadrilha de Drummond é só literatura

Vem aplacar sua angustia e confusão nos meus braços...Desistamos de compreender, existamos, basta ser... Que essa quadrilha de Drummond é só literatura. Meu amor, a vida é dura, a vida é curta pra nos perdermos em tantas confusões enquanto a noite só espera um abraço apertado em silêncio tranquilo... Chega de desamor.

O silêncio do teu abraço

Quanto silêncio cabe num abraço? Quanto sentimento cabe num silêncio? Abro mão de todas minhas palavras pelo silêncio do teu abraço.
"Me disseram que vc estava chorando. E foi então que eu percebi como lhe quero tanto..."

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Tempos em que sentimento é pecado...

Jamais sentir vergonha de sentir. Vivemos um tempo em que sentimento é pecado. Só vale o enlatado, em formato preestabelecido. Quero amor irrompido, qualquer relacionar-se aprendizado, construído, dividido, compartilhado. Chega de compartilhar egos, compartilhemos afetos. Dividir, sentir sem se envergonhar. Tenho mais receio de não sentir, de não amar.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O velho e o moço (Los Hermanos)

Deixo tudo assim
não me importo em ver
a idade em mim
ouço o que convém
eu gosto é do gasto

sei do incômodo
e ela tem razão
quando vem dizer
que eu preciso sim
de todo o cuidado

e se eu fosse o primeiro
a voltar pra mudar
o que eu fiz
quem então agora eu seria

ahh tanto faz
e o que não foi não é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?

deixo tudo assim
nao me acanho em ver
vaidade em mim
eu digo o que condiz
eu gosto é do estrago

sei do escândalo
e eles tem razão
quando vem dizer
que eu não sei medir
nem tempo e nem medo

e se eu for o primeiro
a prever e poder
desistir do que for dar errado

ahhh ora se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim
dispenso a previsão

ahhh se o que eu sou
é tambem o que eu escolhi ser
aceito a condição

vou levando assim
que o acaso é amigo
do meu coração
quando fala comigo
quando eu sei ouvir

Tempo

Tempo. O tempo que não se dá e que se sabe que precisa. Mas a fome não sabe esperar. Sentimento é uma forma de fome.

Consolo

Tem gente que procura livros, poemas, filmes, artes visuais pra se consolar. Eu procuro minha própria poesia. Tenho uma saudade imensa do que nunca vivi, do nunca li, do que nunca escutei. Há um mundo imenso pra se descobrir e se viver. Estamos à porta da vida. Vivemos um tempo que não espera e que está à espera.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Amor ao reverso

Te odiei como nunca odiei ninguém, nem meu agressor. Bem que dizem por aí que o ódio é o reverso do amor. Te quis bem, me preocupei contigo, larguei meu egoísmo, trombei de frente com o seu...No espelho reverso de um passado não tão distante descobri o mal que fiz a alguém pelo mal que vc me fez... Bem ou mal, aprendi com vc... E me encontrei, quando te encontrei estava tão perdida... Mas é a vida, agora quem se perde é você... Sei que não quer meu mal, que talvez não me queira, ou ainda queira sem saber... Mas está tão perdido dentro de vc... E eu quis ajudar, mas agora não dá... Pq me machuquei todas as vezes em que tentei e, chega. Não quero mais me machucar. Agora que cheguei ao fim desse meu desamor, eu quero mais amor, eu dobro a vida em flor, chega de mal-me-quer, de migalhas, da hora em que der... Seja o que for, sei que vai se encontrar, ao me desencontrar, como eu me encontrei entre nossos encontros e desencontros. Parece até um conto, quando eu me conto, me dou conta, amor à primeira vista. Quem acredita?... Mas contos sempre tem final. Afinal. Enfim. Que seja o que é bom pra mim.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Nada de mimimi

Lá em casa já diziam: o que num mata, engorda. Nunca tive ninguém pra soprar meus machucados.

Ciclo da vida

Se eu soubesse desenhar, desenharia uma mulher pássaro em pleno vôo. Depois a desenharia pousando para se alimentar, acasalar e fazer ninho. E fios, que a enroscariam em cada afeto criado. Seriam então fios, uma mulher pássaro fantoche. Então ela cortaria com o bico cuidadosamente cada fio, até se desprender e voar novamente. Mas seria um ciclo, porque ela tornaria a ter necessidade de alimento, pousar, se afetuar, criar laços, cortar nós e tornar a voar e voar. Um ciclo.

sábado, 26 de agosto de 2017

Luta não se faz, faz-se de luta

Viu que aquilo ali não era o seu lugar. Prefere seu não-lugar de sempre, em trânsito, onde se permite existir, dona de si. Cheia de contas a pagar, resistindo à vida dura, em luta cotidiana, vai correr atrás, como sempre fez. Não carrega culpas a serem expurgadas, nada nunca lhe veio de mão bejada. Sua resistência tem sido cotidiana, desde que se entende por gente. Sua carteira não-assinada nunca foi escolha. E trabalho nunca foi necessariamente emprego. Sua luta, sua disputa, sua base tem sido feita, seu preço tem sido pago. Resiste aos capitães do mato e protege suas crianças, há tempos. Não precisa de ninguém que lhe dite como se faz a luta. Se fez de luta, sua vida é assim.

Vida Loka parte 2

Vida Loka e resistência não é escolha. Não é do tédio. Tá em crise? Experimenta ter contas pra pagar e o plano de saúde dos seus velhos depender do seu salário. Se a crise persistir, é existencial. Se não é, é tédio burguês, daí vc vai ser resistência pra aliviar a mente culpada. Pra nós, ZS, a resistência é cotidiana e coletiva, sem precisar de coletivos. Vê se entende. Zé povinho eu lamento. Vê se me erra.

"Firmeza total, mais um ano se passando
Graças a Deus a gente tá com saúde aí, morô?
Muita coletividade na quebrada, dinheiro no bolso
Sem miséria, e é nóis
Vamos brindar o dia de hoje
Que o amanhã só pertence a Deus, a vida é loka

Deixa eu fala procê
Tudo, tudo, tudo vai, tudo é fase irmão
Logo mais vamo arrebentar no mundão
(...)
Champagne para o ar, que é pra abrir nossos caminhos
Pobre é o diabo, eu odeio a ostentação
Pode rir, ri, mais não desacredita não
É só questão de tempo, o fim do sofrimento
Um brinde pros guerreiro, zé povinho eu lamento
Vermes que só faz peso na Terra
Tira o zóio
Tira o zóio, vê se me erra
Eu durmo pronto pra guerra
E eu não era assim, eu tenho ódio
E sei o que é mau pra mim
Fazer o que se é assim
Vida loka cabulosa
O cheiro é de pólvora
E eu prefiro rosas
E eu que, e eu que
Sempre quis um lugar
Gramado e limpo, assim, verde como o mar
Cercas brancas, uma seringueira com balança
Disbicando pipa, cercado de criança
(...)

Acorda sangue bom
Aqui é Capão Redondo, tru
Não Pokemón
Zona sul é o invés, é stress concentrado
Um coração ferido, por metro quadrado
Quanto, mais tempo eu vou resistir
Pior que eu já vi meu lado bom na U.T.I
Meu anjo do perdão foi bom
Mas tá fraco
Culpa dos imundo, do espírito opaco
(...)
O que tiver que ser
Será meu
Tá escrito nas estrelas
Vai reclamar com Deus
(...)
O caminho
Da felicidade ainda existe
É uma trilha estreita
Em meio à selva triste
(...)
Enquanto Zé Povinho
Apedrejava a cruz
E o canalha, fardado
Cuspiu em Jesus
Oh, aos 45 do segundo arrependido
Salvo e perdoado
É Dimas o bandido
É loko o bagulho
Arrepia na hora
Oh, Dimas, primeiro vida loka da história
(...)
Programado pra morrer nós é
Certo é certo é crer no que der, firmeza?
Não é questão de luxo
Não é questão de cor
É questão que fartura
Alegra o sofredor
Não é questão de preza, nêgo
A ideia é essa
Miséria traz tristeza e vice-versa
(...)
Tempo pra pensar, quer parar
Que cê quer?
Viver pouco como um rei ou muito, como um Zé?
(...)
Porque o guerreiro de fé nunca gela
Não agrada o injusto, e não amarela
O Rei dos reis, foi traído, e sangrou nessa terra
Mas morrer como um homem é o prêmio da guerra
Mas ó, conforme for, se precisa, afoga no próprio sangue, assim será
Nosso espírito é imortal, sangue do meu sangue
Entre o corte da espada e o perfume da rosa
Sem menção honrosa, sem massagem

A vida é loka, nêgo
E nela eu tô de passagem
(...)"

Sete vidas

Vai procurá-la, mas não vai encontrar. Tal qual no filme, quem deixa é ela. E ela já sabia, pq tem sexto sentido de bruxa. Queima na fogueira, a Geni. Mas tudo isso é literatura e a vida segue em rumos e caminhos desconexos. Viveu outras vidas, escaldou como gato. Como gato, encontrará sua morada como deusa, não como fogueira. Aos ratos, resta virar os lixos em busca das migalhas que deixou. Lembrou-se que era gata, parou de se sujar no lixo dos restos.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

domingo, 20 de agosto de 2017

Fim

De repente ele percebeu que o silêncio dela era pior que suas infinitas palavras...

Vou sair sem bater a porta

Eu vou embora, vou sair sem bater a porta e vc nem vai perceber... Vou sem nunca ter pedido nada, pq cumplicidade não é cobrada, há de acontecer... A gente divide a vida com mil pessoas se tiver o que dar, mas se não há o que ofertar, é só migalha pra oferecer... Eu vou embora por mim, não por vc. Ninguém me merece, não é uma questão meritocrática. Pelo contrário, a ideia é socializar, é compartilhar, não é só receber. Eu tolero pq não espero nada de ninguém. Mas eu não espero, e no dia em que eu acordar decidida e me arrumar, de batom vermelho, sorriso largo, respiração profunda e olhos marejados, eu vou embora, vou sair sem bater a porta e vc não vai nem perceber...

Heresia

Difícil não cair em tentação. Seu pecado pessoal, desejar entregar seu mundo aos cuidados de outrem. Dos pecados religiosos não sentia culpa, entregava-se à libertinagem sem desculpas, curtia especialmente a gula e a luxúria. Mas da ética protestante burguesa sentia fobia, tornar propriedade, estatal ou privada, seus sentimentos e ações. Difícil não cair em tentação. Precisava confessar seus pecados. Falava, escrevia, palavras a fio pra confessar a culpa do seu desconforto em cair em tentação. Não era em vão. Ao final, respirava aliviada, fazia a oração do amor correspondido pensando no oral correspondido. Colhia das verdades cristãs apenas o esforço de amar à próxima como a si mesma. Esforçava-se em não se sentir indivíduo acima de todas, competitiva, indiferente. Seus pecados pessoais os quais precisava confessar era cair na lógica burguesa, privatizar vidas e sentimentos, assinar contratos de sociedade vendendo sua liberdade em troca de garantias ilusórias de uma ética meritocrática irreal, forjada, aniquiladora. Valores burgueses, novelas, romances, de príncipes em cavalos e castelos, de princesa à espera. Não entregaria seu mundo a ninguém. Compartilhar-lo-ia com quem ela quisesse, e o prazer era todo seu. Dividir momentos de prazer, presentiar no sentido de tempo presente, co-existir. Difícil não cair em tentação, se pudesse, rezava todo dia uma prece de joelhos, fazendo um oralzão, pra livrar-se do pecado da romantização.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Reflexões burguesas

Fazia um esforço, um exercício de autoboicote, uma espécie de choque mental behaviorista toda vez que pensava nele, era pra ver se esquecia por um lapso de tempo... Era um exercício de autocensura. De repente se deu conta da palavra: censura. Apenas a palavra tortura lhe dava mais calafrios que a palavra censura... Entendeu que não gostava disso. Era capricho. Lembrou-se de um amor antigo, um dialogo desses de namorados juvenis apaixonados, algo como "vai lembrar de mim?" e a resposta, o trunfo cênico do poeta apaixonado, "não dá pra lembrar de quem nunca se esquece"... Apesar do efeito plástico da frase, por vezes, como há tempos (e deus, quanto tempo!), a frase cênica ultrapassava seu sentido plástico e se fazia realidade... Por isso a ideia inicial do exercício de autocensura (ui, que pavor que ela sentia sempre que repetia em pensamento esse querer se censurar...), idealizava não se deixar roubar por sentimentos romantizados. Num caos cênico desses que a vida às vezes nos dá, tudo tinha parecido pique novela... Com direito à plateia e espetáculo. Como ela odiava isso! Gostava de ser invisível, sua arte, de todas que tentara, não passara do papel que sussurra baixinho ao seu leitor as ideias dadas, que ficam por acontecer no silêncio da imaginação daquele... Nada mais solitário e particular que a literatura, e era isso que ela amava. Em meio a esse espetáculo com direito a plateia e toda realidade do antiherói que lhe viera, por outras vozes, aquela ideia de que ele não a mereceria. Agora pensando, coisa mais burguesa, e por isso com traços de novela, essa história de meritocracia no sentir... Incomodava-a ainda, mais que isso de mérito, sua própria atitude mental de não esquecimento... Em cada momento, e por isso se autocensurar... De repente novamente um estalo. Viviam tempos mesquinhos, que só a lógica burguesa possibilita, pensar na vida, ter tempo pra pensar. Em outra realidade ou outros tempos não se disporia de tamanho luxo, a vida exige pressa quando não se tem conforto. Nada de romanciar. Viu que era inútil tudo. O pensar e o não pensar. O se autocensurar (que horror! que horror! censura é pavoroso!...). Era uma inutilidade prosaica se ater a isso, se autoboicotar. Importa é viver. Pois que tempos difíceis se instauram e a mente não terá tempo pra cozer ideias de amor.

sábado, 12 de agosto de 2017

Mundo moderno, velhas histórias

Ele era o cara mais idiota que ela já tinha conhecido. Mas ela gostava do seu jeito atrapalhado. Tanto ego pra esconder um universo de inseguranças... Lhe parecia algum tipo de espelho... Seu afeto, então, era um gesto narcísico. O que refletia era um portal no tempo, erros e acertos que ela já tinha cometido. Mas sua conta viera cara, pra ele parecia que não dava nada. O mundo é injusto, disso ela já sabia. Já sabia dessa diferença social de ser ela e de ser ele. Mas ela não queria nesse momento saber de injustiça social, ela queria saber desse apelo carnal, encontro de peles e gostos; ela queria era saber desse universo espiritual, encontro de almas. Ele, não queria saber de nada. Mas ela, não sabia se gostava dele, ou se nesse seu eterno jogo cósmico de repetir a lógica dos deuses, não sabia se gostava dele ou se gostava de gostar.

O mundo dela

No mundo dela, ela gostava de ideias simples, desmassificadas... Gostava de ideias clássicas, música antiga, jazz ou blues num inglês que não entende, um bom vinho meio seco, chocolate meio-amargo depois de comida saborosa, um cigarro queimado devagar a devagar, um livro interessante, nada de romance água com açucar, uma boa filosofia talhada em narrativa, filosofia, algo pra pensar e apreciar... Gostava da solidão em alguns dias, sem falar, se explicar, explicar, ouvir, só sentir... E calar. No mundo dela, ela gostava de coisas inesperadas. Ela gostava das ideias que tinha sobre as pessoas e situações, coisas que nem sempre se concretizavam no viver de fato. Ela gostava do mundo das suas ideias. No mundo dela, a vida era feita de sensações.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Sem mas nem porquê

Não saber o que dizer... Nem sim nem não nem talvez... Não saber se perder, não sentir se encontrar... Não saber se é errar feio ou acertar por acaso... Ouço críticas, sinto cumplicidade.. crime imperfeito e sem planejamento.. um tropeço e de repente é isso aí, ou não é nada disso... Confuso ou esclarecido, talvez seja só isso, talvez seja isso tudo, talvez já tenha sido, já foi... Não saber o que sentir, mas não deixar de sentir e nem sentir demais... Talvez seja tanto faz, talvez faça questão... Talvez seja em vão, talvez seja maldição, talvez seja paixão. No final não importa. Importa viver. Sem mas nem porquê.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Escolho a solidão das ideias próprias

Escolho um caminho solitário. Nada de solidão. É apenas o passo de se caminhar por ideias próprias, nada do que esteja préestabelecido pelos já conhecidos discursos. Posto que todo discurso que entra em cena porque deseja radicalizar com as ditaduras de comportamento tende a se tornar uma ditadura de comportamento... E arrisco descobrir que poucos querem construir além do próprio ego num desejo insano de se encontrar, refletem seu ego e suas angustias como verdade absoluta... E transformam em luta uma resistência em ser. Ser constrói-se em ato cotidiano, nada de engano. Sigo meu rumo, marchando contra o ego de querer-me construir a base de luta coletiva e refletir minha self como ato heroico. Egoico, o ser desses nossos tempos de nada ser.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Não se nasce feminista, torna-se

Não se nasce feminista, torna-se feminista. É dos cacos das violências sofridas que somos fridas, que se constrói esse novo ser. Que ninguém venha me dizer como se fosse xingamento, lá vai a feminista. Sou mesmo, aceito de bom grado a alcunha, faço dela minha luta. Nem de santa, nem de puta, não aceito mais o que querem de mim falar. Mas vá lá que achei que o jogo em cena era o tal do falar, do apontar e determinar. Até que um dia, dia a dia, luta após luta, conversa após conversa, desfaz nó, junta peça, eis que reconheci que não era só ali a pauta em disputa. A cada amiga não mais feita rival, a cada passo o nó do laço, em histórias e violências que se multiplicam ao dividir o coração. Em cada ação, o gesto mudo, o nó na garganta, a lágrima nos olhos, diante de cada história que se recolhe, e não se escolhe, diante do espelho de repente eu tava lá... E não sabia que a cada dia, a cada olhar, a cada passo que se aperta, coração que palpita, olhar que desvia, ouvido que finge não escutar essa disputa dos machos que cheiram rastro de mulher... Desde criança, violentada por palavras e gestos, dos mais brutos aos mais usos de se portar... Tão bonitinha, vai dar uma moça linda... Namora comigo... Vamos casar... Vou me congelar pra vc... Olha pra mim, é tão bonitinha... E somos invadidas, a cada dia que o corpo muda... Que nos oprimem, que nos dizem, tome cuidado... Somos violentadas por nossas mães e tias, reproduzindo igual semelhança por elas sofrida, a perder a infância pra se cuidar... se cuidar... se cuidar... se cuidar... pq não tem quem nos cuide, quem vele por nossa desatenção... e a culpa é sempre nossa... O que incomoda é descobrir que a cada gesto, a cada passo estamos lá, em perigo, sob aviso, em qualquer lugar... Não é blá blá blá nem mimim isso aqui meu amigo. É violência pura e não é só com a puta, é em todo lugar, em cada calar... Esperamos sempre que não seja hoje, que não seja a gente. Torna-se, ao descobrir que vc tava ali e não era pra estar. Que podia ter dito não. Alguém podia ter te dito que vc podia ter dito Não! Mas calou, com medo acuado, de não saber o que estava errado, pq dói mesmo, pq vc procurou... Se normatiza a nossa vida, se normaliza a nossa angustia... Hj me pergunto diante do mundo quantas crianças quiseram nascer... pq criança não tem vontade, mas quem foi que quis?... Aquela mãe tava ali... ela quis? Ela gozou, ela gostou, ela escolheu, ela teve escolha?... Que porra de bolha foi que vc se enfiou pra achar que mulher tem que gostar de tudo? Seu puto! Tem gostar, tem que fazer gozar, tem que se cuidar, tem que criar, tem que amar e aí da que não cuida, da que não ama! É violência meu amigo, a cada ano um acumulo de repertório de violência... É palavra, é gesto, é política, é emprego, é salário, mas meu amigo, é violência. Não conquistamos quase nada, porque aos poucos que multiplicam a ideia de que podemos dizer sim, querer, gostar, gozar; há uma infinidade de insegurança de que não haja confiança então pra que se respeite nosso não. Tecida no nó no peito de cada lamento, violência vivida, ouvida ou reconhecida é que se tece esse novo ser. Não se nasce feminista, torna-se.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Conselho

Aconselho aos casais que começam ou recomeçam:
Não minta a si mesmx. A verdade posta pra fora a todo custo fere, serve mais para expurgar mentes culpadas do que pra cicatrizar corações e relações.
Não minta pra si mesmx, é uma boa forma de ser leal ao outrx.
Não aceite dar nem receber migalhas.
Não cobre nem aceite cobranças. Ninguém muda ninguém, apenas a si mesmo. É uma dança, com passos de escolhas. E escolha não significa término, significa, até onde eu aguento, até onde eu mereço, até onde eu aceito, até onde eu escolho mudar.
É uma dança, não um jogo. Não aceite jogos.
Não se culpe, mude (se necessário).
Não culpe, aja (se necessário).
Avalie necessidades, vontades, desejos (são coisas semelhantes mas profundamente diferentes).
Toda diferença tem limites, toda indiferença tem limites, toda semelhança também. Sinal de alerta. Afinal, ser indivíduo, ser existencial com escolhas próprias também é fundamental.
Dança. Acompanhe os passos da dança enquanto é possível bailar.
O descompasso, pisão no pé, ritmo oposto, desgosto. Assim não embriaga como dançar...
Companheirismo é continuar dançando, ainda que mude o ritmo. Se não é mais sua música, não é mais sua dança... Ou não. As pessoas precisam de tempo. É escolha saber querer esperar. Às vezes os ritmos são outros, mas uma hora dá pra se reencontrar... É questão de optar.
Aconselho que me esqueça. Afinal, já diz o ditado...


terça-feira, 20 de junho de 2017

Raras borboletas

Recolho e distribuo afeto, há quem não saiba dar e alguns que não conseguem acolher. Sem amargor. Sigo dividindo com quem sabe o amor, metamorfoseando relações pra que não sequem, apesar das mudanças. Um dia somos lagarta outros borboleta, momentos em que o casulo é necessário e outros em que não faz sentido... Há quem não entenda, mas a vida segue na mesma paisagem. .. Os que conseguem enxergam cores lindas bailando no ar. .. Os outros? ... Tvz um dia despertem do umbigo e dos dias cinzas... E nesse despertar podemos estar ou não por ali, o mundo é enorme, o tempo é imenso, e as borboletas tão lindas quanto breves. ..

Dialética dos sentidos

O nó no peito não se cala. E eu havia escolhido o silêncio. Mas ele me fala a todo tempo que o sentimento não partiu. As ideias tão cá, caladas. Foram obrigadas a ficar pra dentro. Mas não se aguentam, elas me sussurram a todo tempo que o nó no peito não partiu. Não adiantam atitudes no silêncio do lar. Ideias e sentimentos não se vão assim, os sentidos permanecem, sentindo, que é o que melhor sabem fazer. Pra não ser breve e nem beber sentimento recíproco dado em migalhas eu escolho o nada. Ah... mas os sentidos cobram a atitude. Sei que não estou errada, há muito (pouco) escolhi, "de todos os amores, o próprio", tal qual ressoa em mim... Estou certa, e poucas vezes na vida me orgulhei de me encarar assim. Encaro os fatos. Mas esses meus sentidos, tão ligados ao sentimentalismo romântico ainda não me entendem... Que mais lhes posso fazer além do favor de não sentirem em vão, que não acelerem por qualquer passo bambo e desacertado que se lhes dão em direção... maustratos, eu lhes explico; explico que se entregam e que não há entrega na mesma proporção, que merecem mais e que não vivam de restos. Mas eles não me entendem e não me explicam nada, sussurram por telepatia: nascemos pra sentir, não pra entender, isso é com você.

domingo, 18 de junho de 2017

Sorte dos amantes

Eu quero amor sem self!... Quero foto sem publicação... Quero a vida dos amantes, amando baixinho, falando baixinho, beijando às escondidas, gozando escondidos... Hoje não há casamento institucionalizado mas há a instituição rede social... ah, que mal!... Eu quero a sorte dos amantes! O gosto do beijo escondido, que ninguém fica sabendo... Eu quero amar sem anunciar.

Paixão

Ah... quando foi a última vez que me senti assim? Ouvindo música romântica e projetando ideias, parada pensando, cabeça ao vento... Sonhando dormindo e acordada... quando foi?... Não deve ter remédio esse meu tédio que insiste em se apaixonar... É erro consumado, eu sei! Só não sei como arrancá-lo de mim... São projeções, complexos, arquétipos, invenções burguesas, esse tal de romantismo... Ah... eu sei! Só não sei como arrancá-lo de mim... Não sei se teria tido o mesmo fim de felicidade, pois sem alarde, essa porra dói, dói no começo e no fim... Mas no meio... Ah no meio!.. Em meio à poesia que se cria dia-a-dia, que se ria, que procria, que inventa, ilumina, transborda, saborosa essa vida de gostar a dois... Em meio a sexo apaixonado não há que soe tamanho desgosto diante do gosto dessa mentira que se cria pq a vaidade quer...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ensaio e farsa

Dos que me acham fria, não sabem a imensidão de sentimentos que eu guardo em mim... os camuflo bem, guardo longe das palavras displicentes que saem da minha boca. Eu finjo bem nos discursos, esse meu jeito livre de ser... pra ver se eu ensaio essa liberdade e assim me liberte de tanto sentir... Tem um mundo calado inundado de sentimentos românticos submersos em mim... É que eu não sei gostar pouco, não sei nada de leve e isso fode muito... Então antes que pese eu ao menos finjo não gostar... pra não explodir com tudo... Eu finjo que é só pra gozar, ensaio desapego, chego até acreditar... consigo até nos enganar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Das que se calam...

Não, eu não posso contar, eu não posso contar, eu não posso contar!... Essa dor que me dá todas as vezes que eu me lembro, se eu me lembro, pq eu tento mas fiz tanto esforço tão tremendo pra esquecer que agora o que me dá são vultos daquela dor que eu passei... E sinto, a dor física se transforma em psicose, agressão que dói no peito toda vez que eu me lembrar... Mas eu não posso contar, essa dor que me dá, eu não posso contar! Porque essa dor dói em muita gente, quem me entende e consegue explicar... Essa dor dói em muita gente e ainda vão me julgar... Olha lá, portou-se como puta, escolheu estar lá... Como gritar? Se eu tava entre quatro paredes e fui eu mesma quem quis, fui eu quem pediu... Não, eu me lembro bem, eu pedi foi pra parar que daquele jeito não dava pra gozar... Mas ele foi me querendo, foi metendo, foi dizendo que dava pra aguentar... Que era assim mesmo... É assim mesmo o remédio amargo que se toma quando eu vejo que num me dei conta de que ele estava a me estuprar... Eu senti gosto amargo, achei que era assim mesmo, uma hora eu ia gostar, me acostumar... Ele veio diferente, cada vez mais carente de anal pra se saciar... E eu cada vez menos envolvida, sendo chamada de puta quando desviava o olhar... Cada vez ele avisou menos, sempre me querendo ele ia era direto logo lá... Eu cada vez gozava menos, cada vez gostava menos e aquilo começou a me enojar... Ele deitava na cama junto comigo, eu mudava de quarto e ele ia atrás, atrás, por trás, sempre, cada vez mais, sem pedir, sem pudor, cheio de rancor de eu querer me libertar... A primeira festa sem ele tinha gente em toda parte a me vigiar... A primeira noite sem ele foi de aliviar, a que tive que voltar pra sua casa foi de torturar... E era cada dia mais bruto, cada dia um novo insulto pra me castigar... cada dia menos beijo, cada dia mais sexo sem comigo falar, sem perguntar, sem me tocar... Só meu cu. Ele foi me castigando e eu tava sozinha lá. Eu tava no silêncio e no escuro, a angustia me tomava e eu não sabia lidar... O que eu fiz foi calar... Cada vez mais displicente, cada vez mais distante de tudo, cada vez mais calada, isolada, sem forças pra andar... E onde eu fui parar? Naquela cama nojenta onde ele atravessava meu sono pra me violentar... Eu não sabia o que era, pra mim eu tava lá porque eu quis estar... Todo mundo tinha me dito que não era hora de ter partido, que eu não devia com ele ficar... mas eu tava lá, cada vez mais sozinha e humilhada, de cara virada pra não enxergar... e ele atrás de mim, sempre por trás de mim... Fugi em silêncio com dinheiro emprestado nunca pago, eu vim mimbora pra bem longe, ele ficou por lá... Mas ele tá cá, me assombra, me atormenta... Eu fui embora mas não sem antes de ele me dar um remédio pra abortar: comeu meu cu no mesmo dia e não me perguntou como eu ia ficar. E foi tanto enjoo e tanto medo, medo da morte vir vindo na vida nessa morte que eu vivia mesmo sem desencarnar. Isso é pesado, eu não posso falar... nada de denunciar! As dores que me doem doem nas outras que vão me escutar... Eu não posso falar, a dor que dói em mim doerá nos meus entes queridos e eu não posso falar, ainda podem me julgar... Eu não posso falar e tenho meus motivos porque aquele abortivo deu pra não funcionar.

sábado, 10 de junho de 2017

Desculpem os palavrões (texto pra di maior)

Porra gente! Pára tudo! Vamo voltar a beijar na boca meu povo. Mão no pinto ou na piriquita, dedo no cu, tudo isso antes daquele beijo demorado, saboroso, salivado. Pára! Quero voltar a ser a minina do colégio encostada no muro beijando por horas, com vergoinha se a mão desce... beijo no pescoço, beijo calhiente, sussurro de respiração... Quando foi que a gente perdeu isso, que se não a melhor parte, parte muito delícia. Mas nem tô falando só de mim, só dos da minha idade, tô falando de geração mesmo! Vamo beijar na boca, vamos ser dengoso! Sexo é bom, mas beijo na boca e amizade também. E num vem me chama de tiazinha não hein pirralhinho, que tu num sabe o que tá perdendo! Vamos cantar amor só pra xavecar mesmo, mesmo que as intenções sejam outras! Como disse, sexo é bom, funk também (ambos pelo ritmo!!!...). Mas vamos cum calma que num tamo ganhando, uma coisa não exclui a outra, tamo perdendo e perdendo coisa muito boa, gostosa pra caralho!

Dar tempo ao tempo

Tempo é excelente pro que num sufoca, mas se incomoda, melhor não protelar. Tempo será útil como remédio pra dor que o tédio de resolver poderá lhe causar.

Sentimento

Aceitar o que se sente, porque fingir não sentir é trair a si mesm@. O sentimento não muda com auto enganação, o que muda é a capacidade de com ele lidar.

Sentir falta

SE é que falta, é beijo na boca. Orgasmo se tem com os dedos. Companhia, com amizade.

Balzaquianas (ou não)

Somos aquela geração de mulheres por volta dos 30, um pouco mais ou menos, que já experimentou um casamento, algumas com filhos, que vivencia a revolução quotidiana de costumes, fortalece a luta feminista, adora uma conquista sem compromisso mas sem se objetificar. Gente legal, que acreditou - ou acredita- em romance, mas desmistificou muitas pseudoverdades, inclusive a de que exista homem totalmente desconstruído, trombou muito esquerdomacho, aprendeu a se amar e aquela máxima "de todos amores, o próprio". Chutamos os príncipes e os castelos, deixamos de sonhar com dinheiro e sucesso, mas precisamos e lutamos quotidianamente pelo que nos basta a nos sustentar. Nós somos foda, tem muita gente tentando entender o nosso brilho e ao invés de ofuscar-nos, ser luz junto conosco. Bora tentar a sorte, que ao invés de caçar um cara legal, a gente prefere trombar uma miga foda pra trocar ideia e dar apoio mútuo, quem quiser que aproveite pra aproveitar o nosso encontro e companhia quando nos encontrar!

Boa noite

Quero assistir a um filme mas não quero... Se pá coloque um francês pra pensar na língua e não tocar sentimentos sedimentados nesse meu atual estado... Penso em abrir um vinho, a garrafa já secou, foi ontem ou anteontem, já não sei... das músicas, só a que sussurra em minha mente, deixo-a no sussurro entre meus próprios versos, prefiro o silêncio por hora... silêncio não me apavora... o que devora é esse barulho chiando, imensidão de coisas cá dentro caladas, soterradas debaixo do tapete da mente que querem marcar hora no meu expediente... a conta pra vencer, os débitos e dívidas capitais, sentimentais, reais ou ilusórias... sem hora, por agora, que eu só sei de mim (só sei de mim, só sei de mim...), quero pensar em mim sem pensar... deixa fluir os versos que nunca fui boa em planejar em boa prosa, só em versos soltos... solta como vôou como o vento, sem lamento, eu sei que tem uma hora em que ainda vou chorar, mas não agora. Sem agora, sem antes nem depois, deixa estar, que a poesia é a melhor aliada das noites vazias... Vazio e solidão por escolha própria, por ter de insistir em ouvir a própria voz e se dar a própria vez, em algum lugar deve estar esse meu ser, parei pra me conhecer, prazer. Hoje sei tudo o que não sou e o que não quero. Tá bom por agora, que a vida implora quando sente entre desejos e prazeres um qualquer sempre presente gosto dissabor, amargor, algo que não desce, tipo bebida ruim que uma hora tem de se aprender a não tomar, a escolher balada, mesmo naquela hora errada que se implora por companhia e curtição, há remédios que não valem a pena tornar a provar quando já se tomou e se sabe dos efeitos colaterais... Que a carência não me guie, que o conforte não me engabele tal qual canto da sereia, que eu me baste, não como indivíduo no capital, mas como ser existencial.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Eu e as redes sociais (reais e virtuais)

Alguns dizem que somos fragmentários. Diria que somos retalhos da mesma concha, e eu adoro artesanato! Juntando os cacos, reconstruindo, recosturando, eu me encontro em cada pedaço. Às vezes, por um lapso de tempo, criamos um mundo universo paralelo numa mesma casa onde só existem os personagens daquele episódio, daquela série... Mas somos os atores em cada peça que se encena, e há todo um elenco deixado pra trás que não compõe a próxima história, mas que são gente viva que cruzou o caminho, que se deu um pedaço... Há quem não valha a pena, realmente. Não por ser diferente, mas que não soma e nem divide, só subtrai. Daí num dá que atrai coisa ruim pra se encostar, tem gente que tem imã pra mal amar... Mas nessa geração de rede social, ao invés de olhar o mal eu enxergo o potencial do amar... Saímos da aldeias, há de se compreender, que apesar da crítica necessária do mundo e do muito por fazer, estamos cá, liberdade dada ou reivindicada, estamos cá, na realidade do agora. Sem presentismos, houve antes e haverá depois. Mas estamos cá, na aldeia global que o capital inventou... e essa rede social, que ora pode ser espelho de narciso, pode expandir universos e pode ser reverso, efeito coleteral do sistema... é minha renda, não há como negar, com a qual costuro os retalhos de histórias deixadas pra lá, pra me reinventar, olhar para cá, fitar esse mosaico (que no meu não entra qualquer um...) e recosturar, reconstruir, de cada retalho o melhor que ficou em mim e de mim que ficou por lá... A gente querida desse meu mar! admiro vários, penso que compartilhei tempos preciosos com muita dessa gente dessa tal de "time line"... linha do tempo, com a qual eu teço esse meu cantar. É muita gente foda, é um prazer imenso nessa vida, é benção de canção divina, é muito axé e muita luz, é muito agora dividido em tantas histórias... Que me contemplo no meu ego, penso em deixar de estar nisso que dizem ser universo de narciso, mas me admiro em admirar essa tanta gente que me compôs e não as quero deixar... Revolução em histórias, em caminhos que se cruzam, desses guerrilheiros bem à gauche, que num sei donde cavei tanta amizade revolucionária, é gente que segue estrada a contestar. E daí que eu falei do potencial do reverso, desse sucesso do efeito colateral... Foda-se o sistema, fodamos o sistema por suas próprias estratégias, que nos vigiem, mas é por aqui que nos juntamos, nos embrenhamos, tramamos, mais do que organizações, somos sujeitos a reagir, fragmentários assim é mais duro de coibir. Não, não nos conhecemos por aqui, não vivemos por aqui, não resistimos por aqui. Não se enganem, isso é teia de vida, potencial energético, histórias reais, não apenas virtuais. Trocamos olhares, palavras, ideias e abraços, não com todos, mas com diversos em diversos momentos e diversas histórias, debatemos. Enfim, vivemos. O virtual pra quem queira também é real.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Caminho ultrapassado

Sabe quando você sabe que se passar por aquela porta, consumar aquele beijo, gozar com aquele sexo, será um caminho sem volta, rumo novo, nova trilha desse caminhar, caminho ultrapassado entre o tesão e o se apaixonar. Há beijos que não são complexos, toques displicentes, sexo fisiológico. Mas há estalos intensos ente algumas peles, toques sensitivos, química incessante que na sua explosão arromba portas, destroça vidas ao redor. Tudo sempre se reconstrói pós explosões, ou por implosão, processo não tranquilo mas possível. Mas o rumo, o caminho que se toma quando se adentra uma dessas portas arrebentadas pode ser sem volta, transformar sujeitos, caminho suspeito, novidade que gera medo, mas também possibilidade de se renovar, gerar mundo novo à sua volta... Todos os passos são possíveis numa vida, e nenhum caminho sem volta, apesar de que todo sujeito se transforma diante do rumo novo que escolheu tomar. Mas não há efeito borracha em nenhuma vida, tudo é ação, tudo é escolha: o passo que se dá diante da porta que se assiste, o passo que não se dá, o passo que desiste. Tudo é rumo novo que se toma, mesmo sem se abrir a porta.

sábado, 20 de maio de 2017

Adeus

Hoje seu corpo repousou, como tua alma talvez já estivesse a repousar. Não sabemos de quanto tempo de angustia ela precisou para encontrar a paz, depois de um ato cruel. Quantos foram os dias de vida a calar sobre olhares e conversas invasivas, não permitidas, ignorada sua dor, sua vontade. Por quanto tempo será que calou, fingindo não ser consigo, não ver o que viu. Sentindo-se culpada, medo de ser apontada como provocadora de um "amor", doentio, propriedade de um macho que só essa sociedade hipócrita autoriza a ser. Hipócrita sim, pois não fosse seu fim trágico, disso ela sabia, seria apontada na rua como provocadora, sentenciada não como vítima. Ainda diante do trágico fim tem quem se pergunte porque ela foi até ali... Sim, eu meu pergunto porque não damos ouvidos a nosso sexto sentido, mas não é isso que querem dizem, querem, como sempre, lhe atribuir algum tipo de culpa que só a mulher sempre tem. Qualquer passo é auto, passível de prova contra a ré, que só é vítima mesmo quando diante de fim tão trágico... Quantas de nós não sabemos se o sentido é sexto ou se é o medo que sempre nos acompanha e que faz em dias assim nos dirigir a si mesmas, num pensamento calado pensando, podia ter sido comigo... Quantas vezes não podia ter sido com a gente, estamos em perigo constante, em qualquer passo dado e não dado, dentro e fora de nossas casas... Eu sei que você sufocou, se angustiou, se perguntando se deveria ou não falar... Seu silêncio de final triste te levou daqui para um lugar de paz, a dor é de quem fica aqui. Sua voz, sua denuncia teria te levado a um caminho difícil, para o qual é preciso muita força pra trilhar, diante dos dedos que se apontam, das explicações e provas que se tem que dar, das injurias e calunias, da descrença... Hoje você só é vítima porque partiu. Seria ódio até de outras mulheres que criadas nessa cultura misógina acusam-se umas às outras, defendendo machos que não lhes respeitam, assim desrespeitam até uma mana em prol de um homem em vão. O corpo é corpo, pedaço de carne sem vida. Mas de alma encarnada difícil pensar nesse aflito final, descrença possível que um ato horrível por qualquer pessoa possa passar. Sua alma singela, o olhar meigo e doce, os amigos que sempre te consideraram demais, eu lembro disso tudo e de suas poucas palavras. Essas poucas palavras que fizeram com que você não falasse sobre essa situação que era demais. O que teria mudado Isa, se houvesse denuncia?... Difícil saber. O que me dói é a dor perto do fim, a violência sem fim que nós, por sermos mulheres, vira e mexe viemos a passar... No mesmo dia que você, possivelmente mais doze mulheres tiveram seu fim...Mas você não é uma estatística, porque hoje a dor dói na gente, a gente que em geral não vê esses números como gente, mas são sim! São treze famílias por dia que choram esse fim. Até quando?... Espero que esteja em paz, que haja essa paz depois do fim. Depois do corpo que descansa, sua alma também enfim. Que haja paz para nós, que precisaremos achar forças para encarar essa realidade de que a brutalidade possa estar bem ali. Que sua família encontre cicatriz possível para o fim deste martírio, que haja luz em saber de ti, ainda que haja dor, não é a dor do desconhecido. Que sua aura de paz te acompanhe na eternidade, enquanto nós seguimos até o nosso fim por aqui. Que não haja mais fins assim, minha linda. Que possamos quebrar com esse tipo de fim. Que aja aprendizado em meio a dor. Que sua alma retorne tendo superado a tragédia em si. Que onde houver ódio possa haver amor. Como diz a música da Legião Urbana: "É tão estranho, os bons morrem jovens (...) os bons morrem antes (...)  vai com os anjos, vai em paz (...) e o que sinto, não sei dizer."

sábado, 13 de maio de 2017

Poesia pra quem não quer dizer, mas diz

Ah... seu eu pudesse te dizer literalmente como me sinto... se eu soubesse o que dizer exatamente, como dizer... e a principal questão: se devo dizer-me... as palavras tem poder de materialidade, por palavras assumimos compromissos, terminamos guerras, selamos a paz...findamos contratos, assinamos divórcio... por palavras damos gravidade às coisas... e eu não quero nada em tom grave, eu quero a suavidade de um lá menor...quero não querer, quero fazer. Mas eu sinto um turbilhão de coisas que se talvez não inomináveis,incomunicáveis, não as quero nominar, comunicar, torná-las pesadas. Sonho contigo, sinto seu beijo, toco seu lábio como jamais toquei nenhum em meus sonhos, beijo demorado o beijo demorado que jamais conseguimos dar, sem interrupções... Sinto vigiado o nosso a dois, ainda que em sonho, fugimos pra cantos e sempre há fim... Teimo em não acordar, desligo o despertador, porque se  não dá pra vivenciar, que pelo menos em sonho eu posso me libertar... Ontem eu até gozei com você, me falando palavras vadias ao pé do ouvido, sem penetração, porque nem em sonho eu consegui ainda saber como é...Tenho devaneios, lembro de sorrisos e olhares, palavras trocadas, infinitas coincidências dialogadas, no bater das asas da borboleta, o caos que invade nossas vidas até então tranquilas em sua rotina de amar...Afasto pensamentos insistentes, tento te esquecer e lembrar que existem mil corpos e almas livres por aí, procurando se encontrar e sabendo o querem... Tenho provado alguns... Gostoso também. Mas é inútil... Pra não chamar de paixão aceitei a teoria do eterno retorno, deve ser um desses meus erros insistentes, de querer o que não posso ter... Fazer o que se esse meu jeito de ser me fez assim, ser errante, que não sabe acertar...Tenho fixação no 69, só pra finalizar.

sábado, 6 de maio de 2017

"Mais vale um pássaro na mão do que dois voando"...

Não! Mais vale todos pássaros voando e nenhum nas mãos!... Ledo engano esse engodo mistificado de se relacionar... propriedade privada do amar!...

Se...

Ah... se ele tivesse dançado comigo como naquele dia tantas outras noite não teríamos fim... Ou teríamos... Foram nossas mágoas que colocaram fim à magia quotidiana... dia a dia de café e aroma, bolo, pão de queijo, conversas no bar... a complexidade humana rouba os minutos de paz do amar... Quando aprenderemos a simplificar?...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Poesia para gerações futuras

Quando eu tinha quinze anos, cheguei a acreditar em universos paralelos. Metafísica. Era uma geração fim dos 80, infância 90, que nascera sabendo a materialidade da palavra direito. Nos 2000, soubemos o que foi deixar a fome e chegar à universidade. Começara a ser possível pensar, sonhar, sem a barriga roncar. Hoje eu conheço a materialidade da vida, são tempos difíceis pra metafísica. Não tá dando tempo pra imaginar como seria um universo paralelo. A vida urge chamando-nos às ruas. Nesse meu Brasil feito de ciclos, os tempos apertam de tempos em tempos. A poesia que outrora era aurora hoje é poesia de luta. Conhecemos a materialidade da palavra direito e agora querem nos tirá-la da boca, junto do pão nosso de cada dia, cada dia mais suado. Amei muito. Amor livre e amor preso. Amei em cartas, trocando livros, ritmos, olhares.São tempos duros agora, difícil de dar afeto, tem quem não o recolha. A luta endurece corações humanos. Resistimo-nos uns aos outros
. As referências são fluidas, fluidas as relações. Das cartas, passei a conviver na geração do delete. Onde se escreve e não há tempo para coser a ideia, envio ou não envio, ou para as que recebo, rasgo, taco fogo, jogo fora ou guardo pra sempre... Hoje deleta-se amor. Exclui-se perfil como se se desistisse da vida ou se pudesse excluir outrem da vida assim... Relação delete, que se bloqueia, literalmente... virtualmente... Mas não se engane. Há afeto. Só não sabemos bem como lidar com ele. As redes tb não são de todo ruim, nos reunimos por elas, construimos causas e lutas enquanto nos destruímos e reconstruimo-nos outros novos... "O afeto é revolucionário", ainda vamos entender.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Gata, põe os bigodes pra fora, o luar é lindo lá fora!

Ahhh não! Enxuga esse rosto moça, enxuga essa cara, tira a vergonha da cara, que o resto é esse mundão... que te pertence, viu?!... Essa vida intensa, imensa, que te merece e, sim, vc merece! Ou não, vc não merece!!! Não aceite nada, nada, nada, que te restrinja, ninguém que não te aceite... Não aceite, não aceite jogos, conversas, nó que não desata, fardo, pena, ter pena, quem te condena, que te prenda, quem te limite, quem te enrole, não aceite, não implore, não imploda! Basta um não gata, basta uma restrição, basta! Ou não terá fim... Não aceite cara feia, não aceite grosserias, não aceite! Não se condene!... Que a sociedade já te condena... em cada olhar, cada ação e reação, cada não aceitar, cada julgar, de cada pessoa, da mais conservadora ao pseudodesconstruidão... Então, NÂO, gata! Não aceite não! Aceite-se então! Vc é do tamanho que se criar... Seja arte, estandarte! cria-te, recria-te! Não aceite essa criação discriminação que fizeram de vc... Da mão mais afável, do olhar mais doce, tal qual fizeram de ti, gata selvagem, pantera negra, quiseram-te domesticadamente castrada... mas que piada... Ri da desgraça e grite NÂO! Não sou obrigada! A nada... Não tem obrigação, não tem obrigada então... O que dividem contigo não fazem mais que a obrigação! Esse fardo não é seu, já anoiteceu e o luar é lindo lá fora... Vai e olha, põe os bigodes pra fora nesse sereno gostoso, pula a janela, abre essa festa, chega pra arrasar! Chega de tanto chorar!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Pru modo de que...

É só encanto... respeita seu moço meu jeito sim, esse ensejo de sempre falar... Andei muito calada, de asa quebrada, num não despertar... Adormeci calada, de alma virada de tanto me linchar... eu não quero mais amor que me prenda, figura que me condena pru modo de eu me portar... sou dona de mim, viagem sem volta, passageiro de porta, mas eu quero é pilotar... eu não quero mais vida que prenda, moléstia não se aguenta, há de se reclamar!... eu não quero mais... o que eu quero ainda tá pra nascer em minhas ideias e no meu coração. Sei do não querer, do bem querer ainda é só confusão...

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Paixão que vem e que vai...

Quem em meio a esse turbilhão nacional tem cabeça e tempo pra apaixonar-se?... Mas é que paixão não é escolha, acontece. Escolha é o que se fazer diante dela... Envergonhar-se por ainda haver espaço pra platonismo na vida?... uma parte é materialismo dialético, a outra romantismo ultrarromântico... Qual de mim implode à existência da outra?... Nenhuma, ambas resistem e convivem em quase paz... o que vai à guerra é a miséria de se sentir culpada por aquilo que se vai, se desconstrói... o peito que agora cala diante da paixão que outrora viva gritava viva, amor até... e explode, o mesmo peito, acelera, sufoca, sua frio, sente borboletas no estômago, sonha e vive em sonho o que não pode na realidade, sente a boca que não beija, teima em pensar o que não pode... e se comove, tenta, faz esforço pra lembrar-se de quem um dia nunca esqueceu... e não se lembra dessa paixão nova que por hora  lhe grita viva, porque não há lembrança sem esquecimento, não é possível lembrar-se de quem não se esquece... de quem teima em aparecer sem convite nos pensamentos e sentimentos... Dividida entre a dor de se desfazer de laços que se pensaram em algum momento eternos, e a paixão que lhe invade a vida, aturdida, gostosa, incomunicável, impossibilitada de existência mas nem por isso inexistente... o que se tente é no fim um deixa estar... que por hora não há o que se faça...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A insustentável leveza do ser...

Às vezes sinto-me num livro de Milan Kundera... cada peso e cada leveza de se ser o que se é... Mas não estamos em tempo de seres... A hora é de atitude. Mas há algo que talvez mude um tanto no peito cá dentro calado, tentando nascer, gestado... mas a hora é de revolucionar... o ser... Mas parece que não é tempo de ser, é tempo de lutar... Mas eu queria acalmar, respirar, aprender... a escolha do ser, sem reverso, o peso de cada escolha... e a sensação de que há quem não tenha escolha... é lutar ou rastejar...E eu aqui, reivindicando existência... se a hora é de resistência... Resisto a desistir, a agir sem pensar... Resisto em sentir, ainda que sensação confusa que seduza sem saber que é sedução... O charme faz parte da vida, mas não faz parte da ação... ou não... Ai que confusa... Não sei se guardo as energias pra lutar ou se ardo na chama que tanta energia me provoca e encanta... Era o que sufoca, hoje é deixa estar... Não me abalo, permaneço, porque se me derreto nada resta da guerreira que sou... Estou de pé, deito-me de coração na ação que quiser, no olhar que me aceitar guerrear e adormecer de prazer. Se assim não for, deito-me no conforto do meu ser, ainda que sozinha, de prazer, e depois sigo em coletivo a lutar.