quinta-feira, 29 de junho de 2017

Não se nasce feminista, torna-se

Não se nasce feminista, torna-se feminista. É dos cacos das violências sofridas que somos fridas, que se constrói esse novo ser. Que ninguém venha me dizer como se fosse xingamento, lá vai a feminista. Sou mesmo, aceito de bom grado a alcunha, faço dela minha luta. Nem de santa, nem de puta, não aceito mais o que querem de mim falar. Mas vá lá que achei que o jogo em cena era o tal do falar, do apontar e determinar. Até que um dia, dia a dia, luta após luta, conversa após conversa, desfaz nó, junta peça, eis que reconheci que não era só ali a pauta em disputa. A cada amiga não mais feita rival, a cada passo o nó do laço, em histórias e violências que se multiplicam ao dividir o coração. Em cada ação, o gesto mudo, o nó na garganta, a lágrima nos olhos, diante de cada história que se recolhe, e não se escolhe, diante do espelho de repente eu tava lá... E não sabia que a cada dia, a cada olhar, a cada passo que se aperta, coração que palpita, olhar que desvia, ouvido que finge não escutar essa disputa dos machos que cheiram rastro de mulher... Desde criança, violentada por palavras e gestos, dos mais brutos aos mais usos de se portar... Tão bonitinha, vai dar uma moça linda... Namora comigo... Vamos casar... Vou me congelar pra vc... Olha pra mim, é tão bonitinha... E somos invadidas, a cada dia que o corpo muda... Que nos oprimem, que nos dizem, tome cuidado... Somos violentadas por nossas mães e tias, reproduzindo igual semelhança por elas sofrida, a perder a infância pra se cuidar... se cuidar... se cuidar... se cuidar... pq não tem quem nos cuide, quem vele por nossa desatenção... e a culpa é sempre nossa... O que incomoda é descobrir que a cada gesto, a cada passo estamos lá, em perigo, sob aviso, em qualquer lugar... Não é blá blá blá nem mimim isso aqui meu amigo. É violência pura e não é só com a puta, é em todo lugar, em cada calar... Esperamos sempre que não seja hoje, que não seja a gente. Torna-se, ao descobrir que vc tava ali e não era pra estar. Que podia ter dito não. Alguém podia ter te dito que vc podia ter dito Não! Mas calou, com medo acuado, de não saber o que estava errado, pq dói mesmo, pq vc procurou... Se normatiza a nossa vida, se normaliza a nossa angustia... Hj me pergunto diante do mundo quantas crianças quiseram nascer... pq criança não tem vontade, mas quem foi que quis?... Aquela mãe tava ali... ela quis? Ela gozou, ela gostou, ela escolheu, ela teve escolha?... Que porra de bolha foi que vc se enfiou pra achar que mulher tem que gostar de tudo? Seu puto! Tem gostar, tem que fazer gozar, tem que se cuidar, tem que criar, tem que amar e aí da que não cuida, da que não ama! É violência meu amigo, a cada ano um acumulo de repertório de violência... É palavra, é gesto, é política, é emprego, é salário, mas meu amigo, é violência. Não conquistamos quase nada, porque aos poucos que multiplicam a ideia de que podemos dizer sim, querer, gostar, gozar; há uma infinidade de insegurança de que não haja confiança então pra que se respeite nosso não. Tecida no nó no peito de cada lamento, violência vivida, ouvida ou reconhecida é que se tece esse novo ser. Não se nasce feminista, torna-se.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Conselho

Aconselho aos casais que começam ou recomeçam:
Não minta a si mesmx. A verdade posta pra fora a todo custo fere, serve mais para expurgar mentes culpadas do que pra cicatrizar corações e relações.
Não minta pra si mesmx, é uma boa forma de ser leal ao outrx.
Não aceite dar nem receber migalhas.
Não cobre nem aceite cobranças. Ninguém muda ninguém, apenas a si mesmo. É uma dança, com passos de escolhas. E escolha não significa término, significa, até onde eu aguento, até onde eu mereço, até onde eu aceito, até onde eu escolho mudar.
É uma dança, não um jogo. Não aceite jogos.
Não se culpe, mude (se necessário).
Não culpe, aja (se necessário).
Avalie necessidades, vontades, desejos (são coisas semelhantes mas profundamente diferentes).
Toda diferença tem limites, toda indiferença tem limites, toda semelhança também. Sinal de alerta. Afinal, ser indivíduo, ser existencial com escolhas próprias também é fundamental.
Dança. Acompanhe os passos da dança enquanto é possível bailar.
O descompasso, pisão no pé, ritmo oposto, desgosto. Assim não embriaga como dançar...
Companheirismo é continuar dançando, ainda que mude o ritmo. Se não é mais sua música, não é mais sua dança... Ou não. As pessoas precisam de tempo. É escolha saber querer esperar. Às vezes os ritmos são outros, mas uma hora dá pra se reencontrar... É questão de optar.
Aconselho que me esqueça. Afinal, já diz o ditado...


terça-feira, 20 de junho de 2017

Raras borboletas

Recolho e distribuo afeto, há quem não saiba dar e alguns que não conseguem acolher. Sem amargor. Sigo dividindo com quem sabe o amor, metamorfoseando relações pra que não sequem, apesar das mudanças. Um dia somos lagarta outros borboleta, momentos em que o casulo é necessário e outros em que não faz sentido... Há quem não entenda, mas a vida segue na mesma paisagem. .. Os que conseguem enxergam cores lindas bailando no ar. .. Os outros? ... Tvz um dia despertem do umbigo e dos dias cinzas... E nesse despertar podemos estar ou não por ali, o mundo é enorme, o tempo é imenso, e as borboletas tão lindas quanto breves. ..

Dialética dos sentidos

O nó no peito não se cala. E eu havia escolhido o silêncio. Mas ele me fala a todo tempo que o sentimento não partiu. As ideias tão cá, caladas. Foram obrigadas a ficar pra dentro. Mas não se aguentam, elas me sussurram a todo tempo que o nó no peito não partiu. Não adiantam atitudes no silêncio do lar. Ideias e sentimentos não se vão assim, os sentidos permanecem, sentindo, que é o que melhor sabem fazer. Pra não ser breve e nem beber sentimento recíproco dado em migalhas eu escolho o nada. Ah... mas os sentidos cobram a atitude. Sei que não estou errada, há muito (pouco) escolhi, "de todos os amores, o próprio", tal qual ressoa em mim... Estou certa, e poucas vezes na vida me orgulhei de me encarar assim. Encaro os fatos. Mas esses meus sentidos, tão ligados ao sentimentalismo romântico ainda não me entendem... Que mais lhes posso fazer além do favor de não sentirem em vão, que não acelerem por qualquer passo bambo e desacertado que se lhes dão em direção... maustratos, eu lhes explico; explico que se entregam e que não há entrega na mesma proporção, que merecem mais e que não vivam de restos. Mas eles não me entendem e não me explicam nada, sussurram por telepatia: nascemos pra sentir, não pra entender, isso é com você.

domingo, 18 de junho de 2017

Sorte dos amantes

Eu quero amor sem self!... Quero foto sem publicação... Quero a vida dos amantes, amando baixinho, falando baixinho, beijando às escondidas, gozando escondidos... Hoje não há casamento institucionalizado mas há a instituição rede social... ah, que mal!... Eu quero a sorte dos amantes! O gosto do beijo escondido, que ninguém fica sabendo... Eu quero amar sem anunciar.

Paixão

Ah... quando foi a última vez que me senti assim? Ouvindo música romântica e projetando ideias, parada pensando, cabeça ao vento... Sonhando dormindo e acordada... quando foi?... Não deve ter remédio esse meu tédio que insiste em se apaixonar... É erro consumado, eu sei! Só não sei como arrancá-lo de mim... São projeções, complexos, arquétipos, invenções burguesas, esse tal de romantismo... Ah... eu sei! Só não sei como arrancá-lo de mim... Não sei se teria tido o mesmo fim de felicidade, pois sem alarde, essa porra dói, dói no começo e no fim... Mas no meio... Ah no meio!.. Em meio à poesia que se cria dia-a-dia, que se ria, que procria, que inventa, ilumina, transborda, saborosa essa vida de gostar a dois... Em meio a sexo apaixonado não há que soe tamanho desgosto diante do gosto dessa mentira que se cria pq a vaidade quer...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ensaio e farsa

Dos que me acham fria, não sabem a imensidão de sentimentos que eu guardo em mim... os camuflo bem, guardo longe das palavras displicentes que saem da minha boca. Eu finjo bem nos discursos, esse meu jeito livre de ser... pra ver se eu ensaio essa liberdade e assim me liberte de tanto sentir... Tem um mundo calado inundado de sentimentos românticos submersos em mim... É que eu não sei gostar pouco, não sei nada de leve e isso fode muito... Então antes que pese eu ao menos finjo não gostar... pra não explodir com tudo... Eu finjo que é só pra gozar, ensaio desapego, chego até acreditar... consigo até nos enganar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Das que se calam...

Não, eu não posso contar, eu não posso contar, eu não posso contar!... Essa dor que me dá todas as vezes que eu me lembro, se eu me lembro, pq eu tento mas fiz tanto esforço tão tremendo pra esquecer que agora o que me dá são vultos daquela dor que eu passei... E sinto, a dor física se transforma em psicose, agressão que dói no peito toda vez que eu me lembrar... Mas eu não posso contar, essa dor que me dá, eu não posso contar! Porque essa dor dói em muita gente, quem me entende e consegue explicar... Essa dor dói em muita gente e ainda vão me julgar... Olha lá, portou-se como puta, escolheu estar lá... Como gritar? Se eu tava entre quatro paredes e fui eu mesma quem quis, fui eu quem pediu... Não, eu me lembro bem, eu pedi foi pra parar que daquele jeito não dava pra gozar... Mas ele foi me querendo, foi metendo, foi dizendo que dava pra aguentar... Que era assim mesmo... É assim mesmo o remédio amargo que se toma quando eu vejo que num me dei conta de que ele estava a me estuprar... Eu senti gosto amargo, achei que era assim mesmo, uma hora eu ia gostar, me acostumar... Ele veio diferente, cada vez mais carente de anal pra se saciar... E eu cada vez menos envolvida, sendo chamada de puta quando desviava o olhar... Cada vez ele avisou menos, sempre me querendo ele ia era direto logo lá... Eu cada vez gozava menos, cada vez gostava menos e aquilo começou a me enojar... Ele deitava na cama junto comigo, eu mudava de quarto e ele ia atrás, atrás, por trás, sempre, cada vez mais, sem pedir, sem pudor, cheio de rancor de eu querer me libertar... A primeira festa sem ele tinha gente em toda parte a me vigiar... A primeira noite sem ele foi de aliviar, a que tive que voltar pra sua casa foi de torturar... E era cada dia mais bruto, cada dia um novo insulto pra me castigar... cada dia menos beijo, cada dia mais sexo sem comigo falar, sem perguntar, sem me tocar... Só meu cu. Ele foi me castigando e eu tava sozinha lá. Eu tava no silêncio e no escuro, a angustia me tomava e eu não sabia lidar... O que eu fiz foi calar... Cada vez mais displicente, cada vez mais distante de tudo, cada vez mais calada, isolada, sem forças pra andar... E onde eu fui parar? Naquela cama nojenta onde ele atravessava meu sono pra me violentar... Eu não sabia o que era, pra mim eu tava lá porque eu quis estar... Todo mundo tinha me dito que não era hora de ter partido, que eu não devia com ele ficar... mas eu tava lá, cada vez mais sozinha e humilhada, de cara virada pra não enxergar... e ele atrás de mim, sempre por trás de mim... Fugi em silêncio com dinheiro emprestado nunca pago, eu vim mimbora pra bem longe, ele ficou por lá... Mas ele tá cá, me assombra, me atormenta... Eu fui embora mas não sem antes de ele me dar um remédio pra abortar: comeu meu cu no mesmo dia e não me perguntou como eu ia ficar. E foi tanto enjoo e tanto medo, medo da morte vir vindo na vida nessa morte que eu vivia mesmo sem desencarnar. Isso é pesado, eu não posso falar... nada de denunciar! As dores que me doem doem nas outras que vão me escutar... Eu não posso falar, a dor que dói em mim doerá nos meus entes queridos e eu não posso falar, ainda podem me julgar... Eu não posso falar e tenho meus motivos porque aquele abortivo deu pra não funcionar.

sábado, 10 de junho de 2017

Desculpem os palavrões (texto pra di maior)

Porra gente! Pára tudo! Vamo voltar a beijar na boca meu povo. Mão no pinto ou na piriquita, dedo no cu, tudo isso antes daquele beijo demorado, saboroso, salivado. Pára! Quero voltar a ser a minina do colégio encostada no muro beijando por horas, com vergoinha se a mão desce... beijo no pescoço, beijo calhiente, sussurro de respiração... Quando foi que a gente perdeu isso, que se não a melhor parte, parte muito delícia. Mas nem tô falando só de mim, só dos da minha idade, tô falando de geração mesmo! Vamo beijar na boca, vamos ser dengoso! Sexo é bom, mas beijo na boca e amizade também. E num vem me chama de tiazinha não hein pirralhinho, que tu num sabe o que tá perdendo! Vamos cantar amor só pra xavecar mesmo, mesmo que as intenções sejam outras! Como disse, sexo é bom, funk também (ambos pelo ritmo!!!...). Mas vamos cum calma que num tamo ganhando, uma coisa não exclui a outra, tamo perdendo e perdendo coisa muito boa, gostosa pra caralho!

Dar tempo ao tempo

Tempo é excelente pro que num sufoca, mas se incomoda, melhor não protelar. Tempo será útil como remédio pra dor que o tédio de resolver poderá lhe causar.

Sentimento

Aceitar o que se sente, porque fingir não sentir é trair a si mesm@. O sentimento não muda com auto enganação, o que muda é a capacidade de com ele lidar.

Sentir falta

SE é que falta, é beijo na boca. Orgasmo se tem com os dedos. Companhia, com amizade.

Balzaquianas (ou não)

Somos aquela geração de mulheres por volta dos 30, um pouco mais ou menos, que já experimentou um casamento, algumas com filhos, que vivencia a revolução quotidiana de costumes, fortalece a luta feminista, adora uma conquista sem compromisso mas sem se objetificar. Gente legal, que acreditou - ou acredita- em romance, mas desmistificou muitas pseudoverdades, inclusive a de que exista homem totalmente desconstruído, trombou muito esquerdomacho, aprendeu a se amar e aquela máxima "de todos amores, o próprio". Chutamos os príncipes e os castelos, deixamos de sonhar com dinheiro e sucesso, mas precisamos e lutamos quotidianamente pelo que nos basta a nos sustentar. Nós somos foda, tem muita gente tentando entender o nosso brilho e ao invés de ofuscar-nos, ser luz junto conosco. Bora tentar a sorte, que ao invés de caçar um cara legal, a gente prefere trombar uma miga foda pra trocar ideia e dar apoio mútuo, quem quiser que aproveite pra aproveitar o nosso encontro e companhia quando nos encontrar!

Boa noite

Quero assistir a um filme mas não quero... Se pá coloque um francês pra pensar na língua e não tocar sentimentos sedimentados nesse meu atual estado... Penso em abrir um vinho, a garrafa já secou, foi ontem ou anteontem, já não sei... das músicas, só a que sussurra em minha mente, deixo-a no sussurro entre meus próprios versos, prefiro o silêncio por hora... silêncio não me apavora... o que devora é esse barulho chiando, imensidão de coisas cá dentro caladas, soterradas debaixo do tapete da mente que querem marcar hora no meu expediente... a conta pra vencer, os débitos e dívidas capitais, sentimentais, reais ou ilusórias... sem hora, por agora, que eu só sei de mim (só sei de mim, só sei de mim...), quero pensar em mim sem pensar... deixa fluir os versos que nunca fui boa em planejar em boa prosa, só em versos soltos... solta como vôou como o vento, sem lamento, eu sei que tem uma hora em que ainda vou chorar, mas não agora. Sem agora, sem antes nem depois, deixa estar, que a poesia é a melhor aliada das noites vazias... Vazio e solidão por escolha própria, por ter de insistir em ouvir a própria voz e se dar a própria vez, em algum lugar deve estar esse meu ser, parei pra me conhecer, prazer. Hoje sei tudo o que não sou e o que não quero. Tá bom por agora, que a vida implora quando sente entre desejos e prazeres um qualquer sempre presente gosto dissabor, amargor, algo que não desce, tipo bebida ruim que uma hora tem de se aprender a não tomar, a escolher balada, mesmo naquela hora errada que se implora por companhia e curtição, há remédios que não valem a pena tornar a provar quando já se tomou e se sabe dos efeitos colaterais... Que a carência não me guie, que o conforte não me engabele tal qual canto da sereia, que eu me baste, não como indivíduo no capital, mas como ser existencial.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Eu e as redes sociais (reais e virtuais)

Alguns dizem que somos fragmentários. Diria que somos retalhos da mesma concha, e eu adoro artesanato! Juntando os cacos, reconstruindo, recosturando, eu me encontro em cada pedaço. Às vezes, por um lapso de tempo, criamos um mundo universo paralelo numa mesma casa onde só existem os personagens daquele episódio, daquela série... Mas somos os atores em cada peça que se encena, e há todo um elenco deixado pra trás que não compõe a próxima história, mas que são gente viva que cruzou o caminho, que se deu um pedaço... Há quem não valha a pena, realmente. Não por ser diferente, mas que não soma e nem divide, só subtrai. Daí num dá que atrai coisa ruim pra se encostar, tem gente que tem imã pra mal amar... Mas nessa geração de rede social, ao invés de olhar o mal eu enxergo o potencial do amar... Saímos da aldeias, há de se compreender, que apesar da crítica necessária do mundo e do muito por fazer, estamos cá, liberdade dada ou reivindicada, estamos cá, na realidade do agora. Sem presentismos, houve antes e haverá depois. Mas estamos cá, na aldeia global que o capital inventou... e essa rede social, que ora pode ser espelho de narciso, pode expandir universos e pode ser reverso, efeito coleteral do sistema... é minha renda, não há como negar, com a qual costuro os retalhos de histórias deixadas pra lá, pra me reinventar, olhar para cá, fitar esse mosaico (que no meu não entra qualquer um...) e recosturar, reconstruir, de cada retalho o melhor que ficou em mim e de mim que ficou por lá... A gente querida desse meu mar! admiro vários, penso que compartilhei tempos preciosos com muita dessa gente dessa tal de "time line"... linha do tempo, com a qual eu teço esse meu cantar. É muita gente foda, é um prazer imenso nessa vida, é benção de canção divina, é muito axé e muita luz, é muito agora dividido em tantas histórias... Que me contemplo no meu ego, penso em deixar de estar nisso que dizem ser universo de narciso, mas me admiro em admirar essa tanta gente que me compôs e não as quero deixar... Revolução em histórias, em caminhos que se cruzam, desses guerrilheiros bem à gauche, que num sei donde cavei tanta amizade revolucionária, é gente que segue estrada a contestar. E daí que eu falei do potencial do reverso, desse sucesso do efeito colateral... Foda-se o sistema, fodamos o sistema por suas próprias estratégias, que nos vigiem, mas é por aqui que nos juntamos, nos embrenhamos, tramamos, mais do que organizações, somos sujeitos a reagir, fragmentários assim é mais duro de coibir. Não, não nos conhecemos por aqui, não vivemos por aqui, não resistimos por aqui. Não se enganem, isso é teia de vida, potencial energético, histórias reais, não apenas virtuais. Trocamos olhares, palavras, ideias e abraços, não com todos, mas com diversos em diversos momentos e diversas histórias, debatemos. Enfim, vivemos. O virtual pra quem queira também é real.