sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Diários de Motocicleta...

(Amanhã é aniversário da Larissa. Nada melhor para se lembrar do que de alguém que muito me inspirou essa paixão pelas viagens e por conhecer lugares novos, gente e costumes diferentes, etc.)

Chapadinha/MA. Quem diria que uma viagem de férias de fim de ano seria capaz de mudar uma (ou várias...) vida. Há coisas que parecem acontecer só em filme, mas nada como estar disposto a viver para se perceber que o insólito está sempre no ar...

Os dois parágrafos acima são as primeiras frases que escrevi numa tentativa de recomeçar a escrever um diário; como marco, num caderno que ganhei de uma aluna essa semana, nas duas primeiras aulas que lhe dei, uma garota de uns 14 anos. Porém, a ideia de que seriam palavras guardadas somente para mim mesma angustiou esse sentimento ao mesmo tempo violento e doce, porque empolgado mas calmo, que me atinge nessa minha experiência. Claro pois ficou essa necessidade de partilhá-lo com os amigos que queiram, que tenham paciência para ler-me, que possam, quem sabe, por meio dessas palavras sentirem um pouco das emoções que me rondam...

Não foi apenas a Larissa (para quem não faz ideia, uma colega e grande amiga de turma da faculdade - Letras/ Unesp/Assis - SP) quem me inspirou nessa necessidade de conhecer o mundo, culturas, etc. Claro que os cursos que fiz, inclusive os 3 semestres de Ciências Sociais, ajudaram. Mas as pessoas, e principalmente as pessoas, fizeram isso comigo. Essa vivência ao lado de pessoas de lugares tão diferentes, de costumes tão diferentes, alguçaram o interesse dessa paulistana que vos fala, que saiu da casa da mãe aos 17 anos, e chegou ao interior paulista com o nariz em pé e a ideia de que só São paulo/SP tinha tudo, era o berço da Cultura (hoje me pergunto, qual cultura?...). Devo a muitos essa minha atual percepção de "tudo para quem?" sobre minha cidade natal. Nunca me esqueço do Eder, que fazia o curso de Psicologia, no primeiro ano de faculdade. E muito, muito mesmo, ao meu querido amigo e companheiro Marco Luz, após horas e horas de conversas às mesas do café, almoço, jantar, bar...

Porém, acho que é ainda anterior a questão... minto, pois não era tão somente uma viagem de férias de fim de ano. Trazia consigo uma dívida do meu pai, que há 16 anos não visitava sua cidade natal, e minha, que não a via (e, na real, talvez nem a conhecesse...) há 20 anos. No entanto, como minha mãe conta, talvez a ligação fosse deveras forte... Já que a criança de 4 anos que fui dizia ao ir à praia em São Paulo/SP, pouco após retornar, "chero de Maranhão, chero de Maranhão"...

Era, a viagem, para mulher de hoje, uma oportunidade de conhecer as raízes de uma cultura tão diferente e que muito é preconceituada no meu estado natal. Era a oportunidade de viajar para fora desse estado natal depois de tantos e tantos anos. Era, como eu disse a alguns, uma viagem antropológica, para a então estudante de Ciências Sociais. Era, por que não, uma viagem literária, para a poeta que insiste em não morrer, de uma série de ideias sobre caminhos que nascera numa conversa com meu querido amigo André, e já resultara e um texto postado nesse mesmo blog (logo abaixo desse); e uma decisão tomada sobre tal ideia, a de que precisava caminhar mais, para descobrir, saber, sentir, saborear, tatear, andar novos e desconhecidos caminhos...

Era, ou melhor, é, a minha ideia de viagem. Não a de um mês de férias. Não a do guia turistico. Não a do pacote da CVC. Ou melhor, nada contra essas oportunidades de viagem. Então, é, a minha ideia de caminhos.

Cá estou para aprender. Cá estou para descobrir. Cá estou para conhecer. Uma vida, um mundo. Meu país. Ou melhor, uma pequena parte dele... E eu observo as coisas quase como uma menina com uma caixinha de música nas mãos...

Esse meu caminho talvez tenha já sido andado por outros a quem tal história assemelhe-se tediosa... Mas para mim tem sido quase como aprender a voar...

Estou surpresa. Com minha própria coragem. Foi a paixão pela vida que me trouxe até aqui.

Hoje sou professora de filosofia, português e francês numa cidade do interior do Nordeste do Brasil. E incrivelmente mais valorizada e bem paga do que no estado mais rico do país.

Outra hora continuo essa crônica sobre meus caminhos no lado norte desse país...

P.S.: Aos meus amigos e família, obrigada. A vida é muito preciosa perto de vocês. De lado todo encantamento pelo novo, a solidão é forte sem vocês.