sábado, 18 de fevereiro de 2017

Paixão que vem e que vai...

Quem em meio a esse turbilhão nacional tem cabeça e tempo pra apaixonar-se?... Mas é que paixão não é escolha, acontece. Escolha é o que se fazer diante dela... Envergonhar-se por ainda haver espaço pra platonismo na vida?... uma parte é materialismo dialético, a outra romantismo ultrarromântico... Qual de mim implode à existência da outra?... Nenhuma, ambas resistem e convivem em quase paz... o que vai à guerra é a miséria de se sentir culpada por aquilo que se vai, se desconstrói... o peito que agora cala diante da paixão que outrora viva gritava viva, amor até... e explode, o mesmo peito, acelera, sufoca, sua frio, sente borboletas no estômago, sonha e vive em sonho o que não pode na realidade, sente a boca que não beija, teima em pensar o que não pode... e se comove, tenta, faz esforço pra lembrar-se de quem um dia nunca esqueceu... e não se lembra dessa paixão nova que por hora  lhe grita viva, porque não há lembrança sem esquecimento, não é possível lembrar-se de quem não se esquece... de quem teima em aparecer sem convite nos pensamentos e sentimentos... Dividida entre a dor de se desfazer de laços que se pensaram em algum momento eternos, e a paixão que lhe invade a vida, aturdida, gostosa, incomunicável, impossibilitada de existência mas nem por isso inexistente... o que se tente é no fim um deixa estar... que por hora não há o que se faça...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A insustentável leveza do ser...

Às vezes sinto-me num livro de Milan Kundera... cada peso e cada leveza de se ser o que se é... Mas não estamos em tempo de seres... A hora é de atitude. Mas há algo que talvez mude um tanto no peito cá dentro calado, tentando nascer, gestado... mas a hora é de revolucionar... o ser... Mas parece que não é tempo de ser, é tempo de lutar... Mas eu queria acalmar, respirar, aprender... a escolha do ser, sem reverso, o peso de cada escolha... e a sensação de que há quem não tenha escolha... é lutar ou rastejar...E eu aqui, reivindicando existência... se a hora é de resistência... Resisto a desistir, a agir sem pensar... Resisto em sentir, ainda que sensação confusa que seduza sem saber que é sedução... O charme faz parte da vida, mas não faz parte da ação... ou não... Ai que confusa... Não sei se guardo as energias pra lutar ou se ardo na chama que tanta energia me provoca e encanta... Era o que sufoca, hoje é deixa estar... Não me abalo, permaneço, porque se me derreto nada resta da guerreira que sou... Estou de pé, deito-me de coração na ação que quiser, no olhar que me aceitar guerrear e adormecer de prazer. Se assim não for, deito-me no conforto do meu ser, ainda que sozinha, de prazer, e depois sigo em coletivo a lutar.