sábado, 13 de maio de 2017

Poesia pra quem não quer dizer, mas diz

Ah... seu eu pudesse te dizer literalmente como me sinto... se eu soubesse o que dizer exatamente, como dizer... e a principal questão: se devo dizer-me... as palavras tem poder de materialidade, por palavras assumimos compromissos, terminamos guerras, selamos a paz...findamos contratos, assinamos divórcio... por palavras damos gravidade às coisas... e eu não quero nada em tom grave, eu quero a suavidade de um lá menor...quero não querer, quero fazer. Mas eu sinto um turbilhão de coisas que se talvez não inomináveis,incomunicáveis, não as quero nominar, comunicar, torná-las pesadas. Sonho contigo, sinto seu beijo, toco seu lábio como jamais toquei nenhum em meus sonhos, beijo demorado o beijo demorado que jamais conseguimos dar, sem interrupções... Sinto vigiado o nosso a dois, ainda que em sonho, fugimos pra cantos e sempre há fim... Teimo em não acordar, desligo o despertador, porque se  não dá pra vivenciar, que pelo menos em sonho eu posso me libertar... Ontem eu até gozei com você, me falando palavras vadias ao pé do ouvido, sem penetração, porque nem em sonho eu consegui ainda saber como é...Tenho devaneios, lembro de sorrisos e olhares, palavras trocadas, infinitas coincidências dialogadas, no bater das asas da borboleta, o caos que invade nossas vidas até então tranquilas em sua rotina de amar...Afasto pensamentos insistentes, tento te esquecer e lembrar que existem mil corpos e almas livres por aí, procurando se encontrar e sabendo o querem... Tenho provado alguns... Gostoso também. Mas é inútil... Pra não chamar de paixão aceitei a teoria do eterno retorno, deve ser um desses meus erros insistentes, de querer o que não posso ter... Fazer o que se esse meu jeito de ser me fez assim, ser errante, que não sabe acertar...Tenho fixação no 69, só pra finalizar.

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