quinta-feira, 22 de junho de 2017

Conselho

Aconselho aos casais que começam ou recomeçam:
Não minta a si mesmx. A verdade posta pra fora a todo custo fere, serve mais para expurgar mentes culpadas do que pra cicatrizar corações e relações.
Não minta pra si mesmx, é uma boa forma de ser leal ao outrx.
Não aceite dar nem receber migalhas.
Não cobre nem aceite cobranças. Ninguém muda ninguém, apenas a si mesmo. É uma dança, com passos de escolhas. E escolha não significa término, significa, até onde eu aguento, até onde eu mereço, até onde eu aceito, até onde eu escolho mudar.
É uma dança, não um jogo. Não aceite jogos.
Não se culpe, mude (se necessário).
Não culpe, aja (se necessário).
Avalie necessidades, vontades, desejos (são coisas semelhantes mas profundamente diferentes).
Toda diferença tem limites, toda indiferença tem limites, toda semelhança também. Sinal de alerta. Afinal, ser indivíduo, ser existencial com escolhas próprias também é fundamental.
Dança. Acompanhe os passos da dança enquanto é possível bailar.
O descompasso, pisão no pé, ritmo oposto, desgosto. Assim não embriaga como dançar...
Companheirismo é continuar dançando, ainda que mude o ritmo. Se não é mais sua música, não é mais sua dança... Ou não. As pessoas precisam de tempo. É escolha saber querer esperar. Às vezes os ritmos são outros, mas uma hora dá pra se reencontrar... É questão de optar.
Aconselho que me esqueça. Afinal, já diz o ditado...


terça-feira, 20 de junho de 2017

Raras borboletas

Recolho e distribuo afeto, há quem não saiba dar e alguns que não conseguem acolher. Sem amargor. Sigo dividindo com quem sabe o amor, metamorfoseando relações pra que não sequem, apesar das mudanças. Um dia somos lagarta outros borboleta, momentos em que o casulo é necessário e outros em que não faz sentido... Há quem não entenda, mas a vida segue na mesma paisagem. .. Os que conseguem enxergam cores lindas bailando no ar. .. Os outros? ... Tvz um dia despertem do umbigo e dos dias cinzas... E nesse despertar podemos estar ou não por ali, o mundo é enorme, o tempo é imenso, e as borboletas tão lindas quanto breves. ..

Dialética dos sentidos

O nó no peito não se cala. E eu havia escolhido o silêncio. Mas ele me fala a todo tempo que o sentimento não partiu. As ideias tão cá, caladas. Foram obrigadas a ficar pra dentro. Mas não se aguentam, elas me sussurram a todo tempo que o nó no peito não partiu. Não adiantam atitudes no silêncio do lar. Ideias e sentimentos não se vão assim, os sentidos permanecem, sentindo, que é o que melhor sabem fazer. Pra não ser breve e nem beber sentimento recíproco dado em migalhas eu escolho o nada. Ah... mas os sentidos cobram a atitude. Sei que não estou errada, há muito (pouco) escolhi, "de todos os amores, o próprio", tal qual ressoa em mim... Estou certa, e poucas vezes na vida me orgulhei de me encarar assim. Encaro os fatos. Mas esses meus sentidos, tão ligados ao sentimentalismo romântico ainda não me entendem... Que mais lhes posso fazer além do favor de não sentirem em vão, que não acelerem por qualquer passo bambo e desacertado que se lhes dão em direção... maustratos, eu lhes explico; explico que se entregam e que não há entrega na mesma proporção, que merecem mais e que não vivam de restos. Mas eles não me entendem e não me explicam nada, sussurram por telepatia: nascemos pra sentir, não pra entender, isso é com você.

domingo, 18 de junho de 2017

Sorte dos amantes

Eu quero amor sem self!... Quero foto sem publicação... Quero a vida dos amantes, amando baixinho, falando baixinho, beijando às escondidas, gozando escondidos... Hoje não há casamento institucionalizado mas há a instituição rede social... ah, que mal!... Eu quero a sorte dos amantes! O gosto do beijo escondido, que ninguém fica sabendo... Eu quero amar sem anunciar.

Paixão

Ah... quando foi a última vez que me senti assim? Ouvindo música romântica e projetando ideias, parada pensando, cabeça ao vento... Sonhando dormindo e acordada... quando foi?... Não deve ter remédio esse meu tédio que insiste em se apaixonar... É erro consumado, eu sei! Só não sei como arrancá-lo de mim... São projeções, complexos, arquétipos, invenções burguesas, esse tal de romantismo... Ah... eu sei! Só não sei como arrancá-lo de mim... Não sei se teria tido o mesmo fim de felicidade, pois sem alarde, essa porra dói, dói no começo e no fim... Mas no meio... Ah no meio!.. Em meio à poesia que se cria dia-a-dia, que se ria, que procria, que inventa, ilumina, transborda, saborosa essa vida de gostar a dois... Em meio a sexo apaixonado não há que soe tamanho desgosto diante do gosto dessa mentira que se cria pq a vaidade quer...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ensaio e farsa

Dos que me acham fria, não sabem a imensidão de sentimentos que eu guardo em mim... os camuflo bem, guardo longe das palavras displicentes que saem da minha boca. Eu finjo bem nos discursos, esse meu jeito livre de ser... pra ver se eu ensaio essa liberdade e assim me liberte de tanto sentir... Tem um mundo calado inundado de sentimentos românticos submersos em mim... É que eu não sei gostar pouco, não sei nada de leve e isso fode muito... Então antes que pese eu ao menos finjo não gostar... pra não explodir com tudo... Eu finjo que é só pra gozar, ensaio desapego, chego até acreditar... consigo até nos enganar.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Das que se calam...

Não, eu não posso contar, eu não posso contar, eu não posso contar!... Essa dor que me dá todas as vezes que eu me lembro, se eu me lembro, pq eu tento mas fiz tanto esforço tão tremendo pra esquecer que agora o que me dá são vultos daquela dor que eu passei... E sinto, a dor física se transforma em psicose, agressão que dói no peito toda vez que eu me lembrar... Mas eu não posso contar, essa dor que me dá, eu não posso contar! Porque essa dor dói em muita gente, quem me entende e consegue explicar... Essa dor dói em muita gente e ainda vão me julgar... Olha lá, portou-se como puta, escolheu estar lá... Como gritar? Se eu tava entre quatro paredes e fui eu mesma quem quis, fui eu quem pediu... Não, eu me lembro bem, eu pedi foi pra parar que daquele jeito não dava pra gozar... Mas ele foi me querendo, foi metendo, foi dizendo que dava pra aguentar... Que era assim mesmo... É assim mesmo o remédio amargo que se toma quando eu vejo que num me dei conta de que ele estava a me estuprar... Eu senti gosto amargo, achei que era assim mesmo, uma hora eu ia gostar, me acostumar... Ele veio diferente, cada vez mais carente de anal pra se saciar... E eu cada vez menos envolvida, sendo chamada de puta quando desviava o olhar... Cada vez ele avisou menos, sempre me querendo ele ia era direto logo lá... Eu cada vez gozava menos, cada vez gostava menos e aquilo começou a me enojar... Ele deitava na cama junto comigo, eu mudava de quarto e ele ia atrás, atrás, por trás, sempre, cada vez mais, sem pedir, sem pudor, cheio de rancor de eu querer me libertar... A primeira festa sem ele tinha gente em toda parte a me vigiar... A primeira noite sem ele foi de aliviar, a que tive que voltar pra sua casa foi de torturar... E era cada dia mais bruto, cada dia um novo insulto pra me castigar... cada dia menos beijo, cada dia mais sexo sem comigo falar, sem perguntar, sem me tocar... Só meu cu. Ele foi me castigando e eu tava sozinha lá. Eu tava no silêncio e no escuro, a angustia me tomava e eu não sabia lidar... O que eu fiz foi calar... Cada vez mais displicente, cada vez mais distante de tudo, cada vez mais calada, isolada, sem forças pra andar... E onde eu fui parar? Naquela cama nojenta onde ele atravessava meu sono pra me violentar... Eu não sabia o que era, pra mim eu tava lá porque eu quis estar... Todo mundo tinha me dito que não era hora de ter partido, que eu não devia com ele ficar... mas eu tava lá, cada vez mais sozinha e humilhada, de cara virada pra não enxergar... e ele atrás de mim, sempre por trás de mim... Fugi em silêncio com dinheiro emprestado nunca pago, eu vim mimbora pra bem longe, ele ficou por lá... Mas ele tá cá, me assombra, me atormenta... Eu fui embora mas não sem antes de ele me dar um remédio pra abortar: comeu meu cu no mesmo dia e não me perguntou como eu ia ficar. E foi tanto enjoo e tanto medo, medo da morte vir vindo na vida nessa morte que eu vivia mesmo sem desencarnar. Isso é pesado, eu não posso falar... nada de denunciar! As dores que me doem doem nas outras que vão me escutar... Eu não posso falar, a dor que dói em mim doerá nos meus entes queridos e eu não posso falar, ainda podem me julgar... Eu não posso falar e tenho meus motivos porque aquele abortivo deu pra não funcionar.