quarta-feira, 26 de abril de 2017

Poesia para gerações futuras

Quando eu tinha quinze anos, cheguei a acreditar em universos paralelos. Metafísica. Era uma geração fim dos 80, infância 90, que nascera sabendo a materialidade da palavra direito. Nos 2000, soubemos o que foi deixar a fome e chegar à universidade. Começara a ser possível pensar, sonhar, sem a barriga roncar. Hoje eu conheço a materialidade da vida, são tempos difíceis pra metafísica. Não tá dando tempo pra imaginar como seria um universo paralelo. A vida urge chamando-nos às ruas. Nesse meu Brasil feito de ciclos, os tempos apertam de tempos em tempos. A poesia que outrora era aurora hoje é poesia de luta. Conhecemos a materialidade da palavra direito e agora querem nos tirá-la da boca, junto do pão nosso de cada dia, cada dia mais suado. Amei muito. Amor livre e amor preso. Amei em cartas, trocando livros, ritmos, olhares.São tempos duros agora, difícil de dar afeto, tem quem não o recolha. A luta endurece corações humanos. Resistimo-nos uns aos outros
. As referências são fluidas, fluidas as relações. Das cartas, passei a conviver na geração do delete. Onde se escreve e não há tempo para coser a ideia, envio ou não envio, ou para as que recebo, rasgo, taco fogo, jogo fora ou guardo pra sempre... Hoje deleta-se amor. Exclui-se perfil como se se desistisse da vida ou se pudesse excluir outrem da vida assim... Relação delete, que se bloqueia, literalmente... virtualmente... Mas não se engane. Há afeto. Só não sabemos bem como lidar com ele. As redes tb não são de todo ruim, nos reunimos por elas, construimos causas e lutas enquanto nos destruímos e reconstruimo-nos outros novos... "O afeto é revolucionário", ainda vamos entender.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Gata, põe os bigodes pra fora, o luar é lindo lá fora!

Ahhh não! Enxuga esse rosto moça, enxuga essa cara, tira a vergonha da cara, que o resto é esse mundão... que te pertence, viu?!... Essa vida intensa, imensa, que te merece e, sim, vc merece! Ou não, vc não merece!!! Não aceite nada, nada, nada, que te restrinja, ninguém que não te aceite... Não aceite, não aceite jogos, conversas, nó que não desata, fardo, pena, ter pena, quem te condena, que te prenda, quem te limite, quem te enrole, não aceite, não implore, não imploda! Basta um não gata, basta uma restrição, basta! Ou não terá fim... Não aceite cara feia, não aceite grosserias, não aceite! Não se condene!... Que a sociedade já te condena... em cada olhar, cada ação e reação, cada não aceitar, cada julgar, de cada pessoa, da mais conservadora ao pseudodesconstruidão... Então, NÂO, gata! Não aceite não! Aceite-se então! Vc é do tamanho que se criar... Seja arte, estandarte! cria-te, recria-te! Não aceite essa criação discriminação que fizeram de vc... Da mão mais afável, do olhar mais doce, tal qual fizeram de ti, gata selvagem, pantera negra, quiseram-te domesticadamente castrada... mas que piada... Ri da desgraça e grite NÂO! Não sou obrigada! A nada... Não tem obrigação, não tem obrigada então... O que dividem contigo não fazem mais que a obrigação! Esse fardo não é seu, já anoiteceu e o luar é lindo lá fora... Vai e olha, põe os bigodes pra fora nesse sereno gostoso, pula a janela, abre essa festa, chega pra arrasar! Chega de tanto chorar!

segunda-feira, 27 de março de 2017

Pru modo de que...

É só encanto... respeita seu moço meu jeito sim, esse ensejo de sempre falar... Andei muito calada, de asa quebrada, num não despertar... Adormeci calada, de alma virada de tanto me linchar... eu não quero mais amor que me prenda, figura que me condena pru modo de eu me portar... sou dona de mim, viagem sem volta, passageiro de porta, mas eu quero é pilotar... eu não quero mais vida que prenda, moléstia não se aguenta, há de se reclamar!... eu não quero mais... o que eu quero ainda tá pra nascer em minhas ideias e no meu coração. Sei do não querer, do bem querer ainda é só confusão...

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Paixão que vem e que vai...

Quem em meio a esse turbilhão nacional tem cabeça e tempo pra apaixonar-se?... Mas é que paixão não é escolha, acontece. Escolha é o que se fazer diante dela... Envergonhar-se por ainda haver espaço pra platonismo na vida?... uma parte é materialismo dialético, a outra romantismo ultrarromântico... Qual de mim implode à existência da outra?... Nenhuma, ambas resistem e convivem em quase paz... o que vai à guerra é a miséria de se sentir culpada por aquilo que se vai, se desconstrói... o peito que agora cala diante da paixão que outrora viva gritava viva, amor até... e explode, o mesmo peito, acelera, sufoca, sua frio, sente borboletas no estômago, sonha e vive em sonho o que não pode na realidade, sente a boca que não beija, teima em pensar o que não pode... e se comove, tenta, faz esforço pra lembrar-se de quem um dia nunca esqueceu... e não se lembra dessa paixão nova que por hora  lhe grita viva, porque não há lembrança sem esquecimento, não é possível lembrar-se de quem não se esquece... de quem teima em aparecer sem convite nos pensamentos e sentimentos... Dividida entre a dor de se desfazer de laços que se pensaram em algum momento eternos, e a paixão que lhe invade a vida, aturdida, gostosa, incomunicável, impossibilitada de existência mas nem por isso inexistente... o que se tente é no fim um deixa estar... que por hora não há o que se faça...

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A insustentável leveza do ser...

Às vezes sinto-me num livro de Milan Kundera... cada peso e cada leveza de se ser o que se é... Mas não estamos em tempo de seres... A hora é de atitude. Mas há algo que talvez mude um tanto no peito cá dentro calado, tentando nascer, gestado... mas a hora é de revolucionar... o ser... Mas parece que não é tempo de ser, é tempo de lutar... Mas eu queria acalmar, respirar, aprender... a escolha do ser, sem reverso, o peso de cada escolha... e a sensação de que há quem não tenha escolha... é lutar ou rastejar...E eu aqui, reivindicando existência... se a hora é de resistência... Resisto a desistir, a agir sem pensar... Resisto em sentir, ainda que sensação confusa que seduza sem saber que é sedução... O charme faz parte da vida, mas não faz parte da ação... ou não... Ai que confusa... Não sei se guardo as energias pra lutar ou se ardo na chama que tanta energia me provoca e encanta... Era o que sufoca, hoje é deixa estar... Não me abalo, permaneço, porque se me derreto nada resta da guerreira que sou... Estou de pé, deito-me de coração na ação que quiser, no olhar que me aceitar guerrear e adormecer de prazer. Se assim não for, deito-me no conforto do meu ser, ainda que sozinha, de prazer, e depois sigo em coletivo a lutar.

domingo, 3 de julho de 2016

ESCRAVIZAÇÃO

Revolta. Revolução. Revolta. Revolução. Revolta. Revolução. Começo, fim, finalidade, necessidade, intuição, explosão, condição. Ideia, ideologia. Fato. Analiso, penso, acalmo; explodo, já não mais implodo. Percebi que faz parte de mim. No pensar, no sentir, no agir... Sem direito a repensar, cogitar, desistir... Replanejar, dividir, compartilhar, co-agir. Coagir é de outra linhagem de pensamento. Excremento da miséria humana que desengana vidas a relegar em si o direito de revoltar-se e revoltarem-se. A miséria não está em quem oprime, dos que nasceram pra oprimir. A miséria está em quem oprime ou tenta oprimir o desejo e o direito de outrem semelhante em similar condição de miséria se revoltar, quiça revolucionar. É nos capitães do mato que reside a eterna escravização.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Inspiração

Inspiração. Palavra? Gesto profundo e musical de inspira, expira, respira. Sono abençoado, interrompido por um semi-grito ainda bebê: mamãe. Faz pouco aprendeu a falar... voz grave ainda que pueril... Aqui bem ao lado dorme e me faz renascer constantemente...

Se por um verso ou mais durará essa inspiração pouco importa... Sei que andava perdida e só fez sentido para eu tentar lhe explicar da vida a meu ver, antes, logo e sem que seja numa folha de papel que vá sumir...

Namastê meu bem-querer, pessoa incrível com quem tenho tido o prazer de partilhar meus dias e que fez parte de meu corpo, onde descobri desde sempre o quanto és forte e voluntarioso!...

Puta que pariu, pari! Saiu de mim e não sou eu, não é meu, é inacreditável... É só seu! Tem jeito e falas próprias, tão novo e cheio de vontades próprias, de já ser e estar... Como calar se o milagre da vida ocorre cotidianamente... Já é gente e sabe amar, abraça apertado, dá bejinho mamãe... Meu deus, já se indigna da ausência de fotos do auau no perfil da mamãe: 'mamãe, põe fo Iaia, põe fo Iaia...". Inclusive , até nome já dá, Iaia, sua primeira nominação!

Inspiração. De olhos fechados ao lado, inspira, respira, suspira, me inspira, nana gostoso depois de ser furacão.