sábado, 10 de junho de 2017

Boa noite

Quero assistir a um filme mas não quero... Se pá coloque um francês pra pensar na língua e não tocar sentimentos sedimentados nesse meu atual estado... Penso em abrir um vinho, a garrafa já secou, foi ontem ou anteontem, já não sei... das músicas, só a que sussurra em minha mente, deixo-a no sussurro entre meus próprios versos, prefiro o silêncio por hora... silêncio não me apavora... o que devora é esse barulho chiando, imensidão de coisas cá dentro caladas, soterradas debaixo do tapete da mente que querem marcar hora no meu expediente... a conta pra vencer, os débitos e dívidas capitais, sentimentais, reais ou ilusórias... sem hora, por agora, que eu só sei de mim (só sei de mim, só sei de mim...), quero pensar em mim sem pensar... deixa fluir os versos que nunca fui boa em planejar em boa prosa, só em versos soltos... solta como vôou como o vento, sem lamento, eu sei que tem uma hora em que ainda vou chorar, mas não agora. Sem agora, sem antes nem depois, deixa estar, que a poesia é a melhor aliada das noites vazias... Vazio e solidão por escolha própria, por ter de insistir em ouvir a própria voz e se dar a própria vez, em algum lugar deve estar esse meu ser, parei pra me conhecer, prazer. Hoje sei tudo o que não sou e o que não quero. Tá bom por agora, que a vida implora quando sente entre desejos e prazeres um qualquer sempre presente gosto dissabor, amargor, algo que não desce, tipo bebida ruim que uma hora tem de se aprender a não tomar, a escolher balada, mesmo naquela hora errada que se implora por companhia e curtição, há remédios que não valem a pena tornar a provar quando já se tomou e se sabe dos efeitos colaterais... Que a carência não me guie, que o conforte não me engabele tal qual canto da sereia, que eu me baste, não como indivíduo no capital, mas como ser existencial.

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