sábado, 3 de março de 2012

Doutora aos 25...

Reflexão do dia... Que não é bem do dia, posto que não é de hoje que penso sobre isso, mas há ingredientes a mais de últimas experiências... Então, vamos lá!

Quase 4 anos de formada... Dava pra terminar uma outra graduação, para ter concluído um mestrado e ainda para estar em fase de conclusão de um doutorado. Seria doutora aos 25.
Doutora aos 25?...

Já passei por essa experiência da prematuridade; como quase tudo, tem seus dois lados... Aprender sobre a vida, dar os passos iniciais, ter conflitos adolescentes e ainda aprender sobre Jakobison, Saussure, Candido, Blanchot, Bakhtin não é tarefa das mais fáceis; enfim...

Mas ser doutora aos 25, estar apta a ensinar no ensino superior, até das melhores universidade (posto que nessas o quadro é majoritariamente de doutores...), seria algo bem mais delicado... Questiono-me incessantemente, será que ensinar é só ensinar a teoria? Mesmo que não no ensino de base, no qual a marca da cidadania é sempre presente, logo, ensinar não é só o conteúdo; enfim, será que no ensino "superior" (as palavras são arrogantes, não?!...) ensinar é tão somente ensinar teorias???... E mesmo que o seja, que bagagem de leitura se tem aos 25 anos???... Sim, é possível uma bagagem de leitura teorica muito rica, mas, e outras leituras??? Será que é necessária só a teórica???... Sim, são possíveis outras leituras. Mas e a vida???... E viver??? Será que teria dado tempo aos 25 doutora de ter uma bagagem de experiência além dos livros???... Ou será que a experiência é desnecessária???... É mesmo então necessária só a teoria para se ensinar no ensino "superior"???.... Enfim...

Me desculpem (isso é pra quem se ofender...), mas ser doutora ou doutor sem sair da casa da mãe, sem ter tido carteira assinada ou qualquer trabalho, sem ter tido de se sustentar por qualquer mínimo período cumprindo rígidos horários e ordens fora do aconchego do lar, ou seja, sem se sentir um cidadão comum, sem ter descido do pedestal e deixado de ser elite intelectual por qualquer momento, sem ter tido de lavar suas roupas na mão ou ter comido miojo....

É... não sei o que estou dizendo... Besteira mesmo. A Acadêmia, que é onde os doutores com menos de 30 querem estar, permanecer e morrer, não tá mesmo interessada no cidadão comum nem nos problemas deste, isso é coisa secular... Não está interessada em relacionar-se com a comunidade, entender seus dramas e por ele agir... Os que não foram foram doutores antes dos 30 e lá estão já se esqueceram disso, se um dia nisso acreditaram e pensaram em por isso lutar... E o atual time de doutores antes dos 30 não deve nem ter tido tempo de nisso pensar, atolados em prazos da fapesp, cnpq, pibic, qualificação, produtividade, congressos, congressos, congressos (com mesmo texto de título diferente...), etc, etc, etc...

Enfim... Tais "reflexões" não são tão recentes, mas o que me fez sentar e inscrevê-las neste espaço particular (quem irá lê-las???...) foi um desses encontros insólitos da vida... A oportunidade de ser professora de professores... (árdua tarefa...) Em aulas de francês que tenho lecionado a um grupo de professores do campus da UFMA daqui de Chapadinha, uma doutoranda e uma outra professora da única faculdade particular que aqui se encontra.

Dentre eles, uma da área da educação, para qual dei uma aula particular de conteúdo perdido, há dois dias. De regime integral da área da licenciatura do curso de Biologia.

Doutora? Não, mestra. Graduada pela UFMA da capital e metra pela UNICAMP. Já foi professora na federal do Tocantins e agora aqui está. Trabalha a relação da teoria marxiana na educação, utiliza muito Gramsci e por isso conheceu um especialista nele que foi  meu professor em Marília, o Del Royo (mundo pequeno???...).

Já estamos pensando em mil projetos...

Sei que ela já tem mais de 30.

O que eu quero dizer com isso?... Só que eu não sou doutora aos 25 mesmo não. Nem ela aos 30 e poucos...