sábado, 29 de novembro de 2008

(Quem sou eu?) - talvez...:

poeta, artista, sonhadora, professora, estudante, filha, mulher, amiga, irmã...

são tantas profissões, tantos seres, e tudo é uma coisa só...

até mãe já sou; dou a luz às palavras gêmeas que nascem no meu coração...

artista do beco da vida, do boteco da vida também... (onde bebo piadas sórdidas ao sabor de cerveja brasileira...), poeta que já não sabe fazer poesia, atriz do palco escuro, compositora do blues solitário...

e foi assim que eu compus uma trilha, com um foco insolente, rasgando um verbo inexistente, eu vivo um grito sem palavras, hora canto, hora arma (que às vezes dispara em minha direção...)...

eu fiz as falas da minha peça rara, lá se encena toda minha ilusão...eu fiz as falas e não as falei, e na falta de palavras eu exitei: a personagem era eu, sou todas as mascaras do meu carnaval (que tem fim...), e desnudada, sem palavras, eu achara a minha mais plena criação: era eu.

sou eu, mas só calada, na hora das falas, mesmo essas falas, sou mais uma personagem composta por mim mesma, inventada por mim mesma, encenada por mim mesma...sou minhas falas, máscaras, cores, trilhas, enredo, tons...e o som é sempre o blues...

(Quem somos nós?) - COLETIVA (O)

Os fatos, os rostos, derrotados…os ratos, abarrotados…o lixo entalado, entulhado…
Os hábitos alucinados, os vícios, condenados, impensados…os astros desalmados, opacos, pagos…
Alucinado? Só se for o trabalho, porque você é que não pode estar…
O preço é caro, o resto não é raro, o vício é consumado…O consumo é desalmado…
A rebeldia é sem causa, a causa é delingüente, nada mais é aparente…
E se não há aparência não se sobrevive… (foi aí que a causa saiu de moda…)
Os gestos são pensados, etiquedos…
A revolução foi abortada, ou melhor, nascida, foi adotada…
Os jovens, inexistentes…a juventude envelheceu…esqueceu que era jovem, o que é ser jovem…
O tempo também é consumidor, consome à vista ou em prestação, o custo é alto, é alto custo…
O susto não é raro, o caro não é raro, o cara não é caro, a vida não é cara…
O sentimento é o amor, embrulhado, enfeitado, vendido em pratileiras ou pregado goela abaixo…o amor a todo custo…pode ser caro ou a preço popular…
O medo é o sentimento…não é raro, não é caro, não vê cara…o ódio é coletivo…
O coletivo é excasso…é usado só pelo público pobre ou quando é passeata pela paz…ele é parado…
A parada é coisa rara…
É tudo junto e misturado e tá fedendo…
Um lado é um lado, o outro é outra coisa e ninguém sabe quem é quem…
A guerra é globalizada, o ódio é globalizado…mas eles foram sutilmente disfarçados e a diplomacia impera (lista…)
Só a paz ainda não está a venda, não descobriram como empacotar, negociar, alugar, acionar…(a bolsa tá em baixa…)
Ah! Na bolsa ela tá, junto com a camiseta que caminha pela orla de Copacabana…
Um pedaço de papel (agora virtual) impera o mundo, dita quem passa fome, dita moda, dita a magricela, ditadura coletiva, sem coletiva! ninguém quer ser entrevistado entrevado por um acidente monetário…
Meu Deus! Pára tudo! (se é que cabe essa exclamação na agenda de hoje, depois da academia, do cabelereiro, do banco, das compras e do jornal das 8…ah! E da novela também…) Como é que um pedaço de papel virtual manda no mundo? Na imaginação popular…ou melhor, imaginação globalizada porque popular é meio pobre…
Como é que pode, até parece que não se escolhe…é que não dá mais tempo de pensar como é que isso tudo aconteceu…eu pago pra alguém me contar!...
JULIANA ALMEIDA