Não se nasce feminista, torna-se
Não se nasce feminista, torna-se feminista. É dos cacos das violências sofridas que somos fridas, que se constrói esse novo ser. Que ninguém venha me dizer como se fosse xingamento, lá vai a feminista. Sou mesmo, aceito de bom grado a alcunha, faço dela minha luta. Nem de santa, nem de puta, não aceito mais o que querem de mim falar. Mas vá lá que achei que o jogo em cena era o tal do falar, do apontar e determinar. Até que um dia, dia a dia, luta após luta, conversa após conversa, desfaz nó, junta peça, eis que reconheci que não era só ali a pauta em disputa. A cada amiga não mais feita rival, a cada passo o nó do laço, em histórias e violências que se multiplicam ao dividir o coração. Em cada ação, o gesto mudo, o nó na garganta, a lágrima nos olhos, diante de cada história que se recolhe, e não se escolhe, diante do espelho de repente eu tava lá... E não sabia que a cada dia, a cada olhar, a cada passo que se aperta, coração que palpita, olhar que desvia, ouvido que finge não escuta...