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Sentido

 Enquanto a vida não faz sentido eu escrevo. Coisas vãs, coisas sãs e outras loucuras também. No sense. Ou seria o caos o próprio teor da vida? Que sentido faz o rio que estamos, quando cá estamos, nem sabemos seu curso nem seu devir. E me desafia fazendo redemoinho quando eu calmaria... - Avia minina! Te a cor da, bota cor nessa Vida! Arreda logo de sonhar em preto e branco que a Vida num é cinema mudo não! Te abesta não, sente o sabor da fruta, pare de viver de imagina ação! A Vida é uma voz rouca (uma voz louca?!) que me sussurra verdades, durezas e certezas tal qual um narrador que conta minha própria história.  Quando a vida não faz sentido eu lhe transcrevo. Ela diz que a vida é sentida, ela é o próprio sentido. - Te avexe não minha filha, o rio que segue na tua estrada tem a grandeza de Deus. (Ou da Deusa, como tu prefere chamar). É água farta. Fartura é a sina da tua estrada e quando tu perde o sentido, é porque tem sentido. O sentimento é teu lar, e tuas palavras são ...

SerVida

 Eu, toda feita de barro, tal como artesanato, me moldo, me faço e refaço. Às vezes aos cacos que derreto no fogo bravo da Vida, me dou novas formas, novas fôrmas. Eu, feita de barro. Me pinto, celebro no colorido tinto, no colorido vivo que a natureza dá. Eu, toda feita de barro, seria feita pra enfeite? De que matéria é feita a Vida, pra que servimos todos nós? Haveríamos de sermos feitos para enfeite? Eu, toda feita de barro, enfeito a natureza. Que resistência temos em sermos ornamento, sermos feito tal qual paisagem. Acaso não sabemos que o mesmo fruto, a mesma flor que enfeita é feita pra multiplicar vida. Pra multiplicar Vida. Ser Vida. Eu, toda feita de barro, Ser Vida, sendo a xícara que carrega a água que mata a sede, quem sabe, dos vermes que me comerão a fria carne. Eu, toda feita de barro, enfeito a Vida de quem me tenha feito. Sou feito pássaro engaiolado no tempo presente, no corpo presente. E canto. Eu, toda feita de barro rejeito ser vir de recipiente à agua parada...

No sense flopado

 Versos soltos como um rock'n roll desvairado, só os loucos entendem os poucos versos, poetas roucos e nada mais disso me faz sentido... Roqueiros hoje são velhos chatos e machistas. E sem melodia e malemolência música alguma me tem mais graça. Já não diviniso mais tanto a loucura, vivo num mundo totalmente alienista, alienado, se já não se sabia, hoje menos ainda sabemos quem está do lado de dentro, quem está dopando, quem está dopado. Onde é mesmo a saída? De qual caminho Alice?... Bota no sense nesse script, nesse streep tease... Roupas cafonas, bares bolhas paulistanos, trads, feeds, on the city, o que mais faz sentido desse lado, seu alienado?!... Bombado flopado no fecho chegando, olha esse lacre da gata cis te derrubando. No sense, sei lá, minha cabeça é que às vezes não entende muito bem o que que tá acontecendo, me chama um sociólogo, um blogueiro ou um pastor pra tá logo me explicando. 

La mer

        Busco a mar, caminho na areia, tenho uma relação profunda com a mar... Gosto de contemplá-la, sua intensidade que me assusta, sua calmaria me faz ninar ao som das suas ondas de ir e vir... Pôr-do-sol na mar é minha preferência de cartão postal, um dia ainda me caso de véu e grinalda, vestida de branco nesse pôr-do-sol lindo que laranjeia tudo e se joga na mar assim, se indo, se indo... Quantas vezes me joguei... Devo ter morrido em alguma outra vida me jogando em a mar... A sensação de mergulhar é maravilhosa, a de se afogar é desesperadora... Ouço Cazuza e uma lágrima titubeia em cair... O blues br me toca a alma de um passado distante... Parece não fazer mais sentido tanta insensatez sentida... Todavia isso me joga na aridez da vida... Às vezes até parece que nem sou mais eu... Mas me amo mesmo assim... Pés fincados na areia admirando a mar... Antes isso do que jogada na mar, navegando ao sabor do vento e dos astros... Vire e mexe sonho com tsunamis... Deve...

Rotina

 Caminhamos por vezes como se fossemos chegar a algum lugar... Como uma busca infinita... Ainda me pego dia a dia caindo nessa armadilha... Aguardando a placa de chegada, um lúdico fim expresso... Talvez me tenham faltado as cerimônias das quais fugi ao longo da vida, formaturas, batizados e festas de casamento... Eu sempre fui mais dos sentimentos do que das comemorações e rituais...  O dia-a-dia, essa é a chegada do caminho... que se faz tão famigeradamente do caminhar... Mas eu ainda me pego a esperar algo transcendente a cada dia, mesmo sabendo que a mais bela magia está no viver... E apreciar.  Tal qual quem maratona uma série em que os capítulos se seguem... Já não tenho mais a pazciência de esperar por cada capítulo... É como se a gente devorasse a vida sem apreciar o sabor de cada pedaço... A epifania do Happy End talvez só exista no nosso enterro ao qual não estaremos para receber os aplausos finais... 

Arco Íris

 Como o arco-íris é um e tem sete cores, como uma música é única mesmo tendo diversas notas e acordes, tudo é múltiplo e vasto ainda sendo a mesma coisa... Sou uma mesma pessoa, tendo sido várias e isso me provoca divino encanto... Aconchego aos poucos minha partes dentro de mim... Algumas tive de buscar ao longo da vasta estrada antes do fim... Elas me faziam falta, hoje, me sinto plena e inteira, amo todos meus pedaços... Cada caquinho colado do meu ser... Cada cor que pinta quadros feito aquarela, cada nota que me torna música que me leva a dançar nessa vida insana, busco meu refugio em mim... Adentro meu jardim sagrado, contemplo-me no espelho, olho-me nos olhos... São infinitos sentidos que eles me trazem. Olhar-me nos olhos, outrora angústia sem fim, hoje finda-me as dúvidas... Eu sempre soube a música que toca nessa trilha... Sigo caminho. E que venha quem tiver que vir. Quem tiver de partir já se foi, tem gente que sempre vai estar a voltar... Inspiram e tocam junto nessa b...

As vozes da minha cabeça me enrouquecem

 Não tenho respostas para minhas próprias perguntas. Existe uma angustia existente querendo nascer. Depois que os sinos tocam sempre acontece alguma coisa espetacular, mas a vida cotidiana não tem sinos, nem espetáculos. Isso apenas a arte pode nos dar, essa catarse... A vida que precisa de espetáculos torna-se um martírio sem fim em busca do próximo aplauso... Eu vivo essa angustia de ser artista e esperar sempre pelo palco... É por isso que eu escrevo... No silêncio do texto a minha prece em palavras sempre é ouvida. Aqui, imaginariamente na minha mente, alguém me escuta... Devo ser eu mesma, dando ouvidos e valor às minhas angustias. As vozes da minha cabeça precisam ser ouvidas, ou me enlouquecem.