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Pru modo de que...

É só encanto... respeita seu moço meu jeito sim, esse ensejo de sempre falar... Andei muito calada, de asa quebrada, num não despertar... Adormeci calada, de alma virada de tanto me linchar... eu não quero mais amor que me prenda, figura que me condena pru modo de eu me portar... sou dona de mim, viagem sem volta, passageiro de porta, mas eu quero é pilotar... eu não quero mais vida que prenda, moléstia não se aguenta, há de se reclamar!... eu não quero mais... o que eu quero ainda tá pra nascer em minhas ideias e no meu coração. Sei do não querer, do bem querer ainda é só confusão...

Paixão que vem e que vai...

Quem em meio a esse turbilhão nacional tem cabeça e tempo pra apaixonar-se?... Mas é que paixão não é escolha, acontece. Escolha é o que se fazer diante dela... Envergonhar-se por ainda haver espaço pra platonismo na vida?... uma parte é materialismo dialético, a outra romantismo ultrarromântico... Qual de mim implode à existência da outra?... Nenhuma, ambas resistem e convivem em quase paz... o que vai à guerra é a miséria de se sentir culpada por aquilo que se vai, se desconstrói... o peito que agora cala diante da paixão que outrora viva gritava viva, amor até... e explode, o mesmo peito, acelera, sufoca, sua frio, sente borboletas no estômago, sonha e vive em sonho o que não pode na realidade, sente a boca que não beija, teima em pensar o que não pode... e se comove, tenta, faz esforço pra lembrar-se de quem um dia nunca esqueceu... e não se lembra dessa paixão nova que por hora  lhe grita viva, porque não há lembrança sem esquecimento, não é possível lembrar-se de quem não se ...

A insustentável leveza do ser...

Às vezes sinto-me num livro de Milan Kundera... cada peso e cada leveza de se ser o que se é... Mas não estamos em tempo de seres... A hora é de atitude. Mas há algo que talvez mude um tanto no peito cá dentro calado, tentando nascer, gestado... mas a hora é de revolucionar... o ser... Mas parece que não é tempo de ser, é tempo de lutar... Mas eu queria acalmar, respirar, aprender... a escolha do ser, sem reverso, o peso de cada escolha... e a sensação de que há quem não tenha escolha... é lutar ou rastejar...E eu aqui, reivindicando existência... se a hora é de resistência... Resisto a desistir, a agir sem pensar... Resisto em sentir, ainda que sensação confusa que seduza sem saber que é sedução... O charme faz parte da vida, mas não faz parte da ação... ou não... Ai que confusa... Não sei se guardo as energias pra lutar ou se ardo na chama que tanta energia me provoca e encanta... Era o que sufoca, hoje é deixa estar... Não me abalo, permaneço, porque se me derreto nada resta da guer...

ESCRAVIZAÇÃO

Revolta. Revolução. Revolta. Revolução. Revolta. Revolução. Começo, fim, finalidade, necessidade, intuição, explosão, condição. Ideia, ideologia. Fato. Analiso, penso, acalmo; explodo, já não mais implodo. Percebi que faz parte de mim. No pensar, no sentir, no agir... Sem direito a repensar, cogitar, desistir... Replanejar, dividir, compartilhar, co-agir. Coagir é de outra linhagem de pensamento. Excremento da miséria humana que desengana vidas a relegar em si o direito de revoltar-se e revoltarem-se. A miséria não está em quem oprime, dos que nasceram pra oprimir. A miséria está em quem oprime ou tenta oprimir o desejo e o direito de outrem semelhante em similar condição de miséria se revoltar, quiça revolucionar. É nos capitães do mato que reside a eterna escravização.

Inspiração

Inspiração. Palavra? Gesto profundo e musical de inspira, expira, respira. Sono abençoado, interrompido por um semi-grito ainda bebê: mamãe. Faz pouco aprendeu a falar... voz grave ainda que pueril... Aqui bem ao lado dorme e me faz renascer constantemente... Se por um verso ou mais durará essa inspiração pouco importa... Sei que andava perdida e só fez sentido para eu tentar lhe explicar da vida a meu ver, antes, logo e sem que seja numa folha de papel que vá sumir... Namastê meu bem-querer, pessoa incrível com quem tenho tido o prazer de partilhar meus dias e que fez parte de meu corpo, onde descobri desde sempre o quanto és forte e voluntarioso!... Puta que pariu, pari! Saiu de mim e não sou eu, não é meu, é inacreditável... É só seu! Tem jeito e falas próprias, tão novo e cheio de vontades próprias, de já ser e estar... Como calar se o milagre da vida ocorre cotidianamente... Já é gente e sabe amar, abraça apertado, dá bejinho mamãe... Meu deus, já se indigna da ausência de f...

Outra Viagem

O momento é de encanto com outras viagens nunca antes provadas... Viagens interiores? Não. Exteriores sem Exterior. De relações exteriores. De relacionar-se com o exterior, olhar para além de si. De amor (amor profundo). De toques, sorrisos, brrruns com a boca, sorriso gengiva, bubum fofinho, beijo mamãe, olhares profundos, mamadas noturnas e diurnas, constantes. Cheiro, beijo, fraldas sem nojo. Viagem cotidiana. Viagem no aconchego do lar. Viagem de amor (neguinho), gatinho e nenem. Viagem de miau ronronando na perna pela manhã, misturado a choros de fome e bom dias de sorriso de amor de oi nenem, diz bom dia pro papai. Viagem de amor. Melhor, viagem de amor correspondido. Maior barato, gratuito, fortuito. Viagem de reconhecer em. Viagem de conhecer. Viagem de mundo novo, de filosofia mundo de sofia... viagem de conviver com alguém conhecendo o mundo a cada segundo, descobrindo sentidos diferentes, por sentidos diferentes... fazendo me sentir diferente... Viagem de odores mil. Viagem ...

Doutora aos 25...

Reflexão do dia... Que não é bem do dia, posto que não é de hoje que penso sobre isso, mas há ingredientes a mais de últimas experiências... Então, vamos lá! Quase 4 anos de formada... Dava pra terminar uma outra graduação, para ter concluído um mestrado e ainda para estar em fase de conclusão de um doutorado. Seria doutora aos 25. Doutora aos 25?... Já passei por essa experiência da prematuridade; como quase tudo, tem seus dois lados... Aprender sobre a vida, dar os passos iniciais, ter conflitos adolescentes e ainda aprender sobre Jakobison, Saussure, Candido, Blanchot, Bakhtin não é tarefa das mais fáceis; enfim... Mas ser doutora aos 25, estar apta a ensinar no ensino superior, até das melhores universidade (posto que nessas o quadro é majoritariamente de doutores...), seria algo bem mais delicado... Questiono-me incessantemente, será que ensinar é só ensinar a teoria? Mesmo que não no ensino de base, no qual a marca da cidadania é sempre presente, logo, ensinar não...