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Quarta feira de cinzas (mais um carnaval)

Mais uma vez é quarta-feira de cinzas e acabou o nosso carnaval... Outra vez em outros braços embora quiséssemos o abraço de outro alguém... Mais uma vez vida que segue depois do baile de máscaras... Veneza tal qual Sodoma e Gomorra, desta vez foi feito de dilúvio o final... Mais uma vez triste fim de quem navega em olhares os mares do amor inatravessado... Se houvesse ponte, mas havia muro. e era gente atravessando nosso caminho... Mais uma vez a alegria vai embora nos dias contados com data de ser feliz... Amores vividos e revividos, nenhum amor de carnaval vai além da quarta feira... Bem quisera eu acreditar que em outros braços nos distraímos enquanto abraço de toda vida, aconchego sem despedida, ainda não vem. E amém. Dia de carnaval é dia de vadiar, como se a vida não se pudesse acabar... Mais uma vez é quarta feira de cinzas, de bitucas, de ressacas, de muita água, lava a alma e deixa acreditar... E lá se vão tantos carnavais e nós seguimos sós, guri.

Roda do destino

Sinto o abraço apertado no peito e o som da voz... Me denuncio, não me espanto e não há como se esconder da vida... Movemos terras e céus mas em hipótese alguma o querer alheio... o quanto sofremos na força do tempo das ilusões perdidas que desenhavam um mundo feito à nossa imagem e semelhança, o bel prazer de se ter o que se quer por capricho de achar que seu caminho é o único caminho da verdade... Tic tac tic tac tic tac... Acaso não te tens cansado de estar assim tão certo do incerto... quanto sofrimento colhendo as rosas, ferindo de espinhos... Na dança da loucura, o mundo gira gira e tu dá voltas no mesmo lugar... No mesmo lugar... Denovo... Cinco encarnações no mesmo lugar... Te põe a bailar e arde no fogo que te queima e teimas... Insiste, insiste, insiste... Buscas o mar, de cara no chão, come terra seca, passa fome, bebe lágrimas, te abraças com a solidão...

A gênia da lâmpida

Num mundo de tantas certezas eu sou um universo de tantas dúvidas... Tenho ainda muitas perguntas, mas já descobri que o caminho se faz no caminhar... Foram tantos passos, tantos passos, tantos passos... até entender que o caminho se faz a cada passo, e no ritmo de um compasso basta apenas ser passo, no passinho, me pôr a bailar... a divina dança... a divina dança... a divina dança... Que a vida é celebrar... Não tenho certeza muito assim tipo pedido de faste food, do que quero e não quero, com formato pré-feito, perfeito, como casa pré-fabricada... Ás vezes só me imagino numa mata, o som das águas, o céu de teto solar, o céu de teto luar... A brisa, a vida... Eu não sei bem os pedidos que quero, como se faz uma oração, numa lista infinita, de checklist... eu tento, eu tento, mas no fundo, bem no fundo, onde canta a verdade, eu não sei fazer assim... Existe uma bússola no peito que sempre soube e sabe muito, muito bem o caminho que segue... Eu ainda não sei traduzi-la... É como se foss...

A Dança

Ele é o homem da vida dele. Eu sou a mulher da minha vida. Mas tenho cá pra mim que o homem da vida dele e a mulher da minha vida formam um lindo casal.

Celebração: minha missão de Vida.

Tudo que me emuduce, tudo que silencia a boca, brilha nos olhos, sorri a alma, eu celebro. Celebra-ação. ato ou ação de celebrar. E agradecer. A flor que nasce no asfalto, ou no cultivo do jardim, ou na floresta selvagem, tem a mesma Vida em si. Celebrar a Vida, por isso existo. Já resisti tanta coisa, tantas águas passaram por mim... Hoje eu existo... Sou a água que flui no curso da Vida... Sou a Vida que vive. Sou a Vida que ensina. Sou a respiração que pulsa a cadência da Vida, inspira, expira, pra dentro, pra fora, no fluxo que filtra o que me serve e exporta o que em forma de equilíbrio faz viver outras vidas... Ah árvores queridas, de tuas vidas depende a nossa existência... Simples de tudo, simplesmente perfeito equilíbrio entre dar e receber... Somos em vós e vós em nós... Somos Nós. Atados à permanência da Vida em livre existência, tão livres quanto conectados... Um Todo de vários lados... Sou o coração que batuca e às vezes desafina... Sua harmonia perfeita me mante...

Manifesto Utopista

Manifesto subversiva pulsão de vida! À necrossociedade mórbida em que vivo, declaro sua falência! Estamos às portas do fim do mundo e nos quiseram fazer crer que o destino era o Capetal, infernal... Do capeta queremos apenas as festas e as cervejas (estupidamente geladas como nem os céus hão de nos dar!!...) Nosso mundo é aqui! Não é além de ninguém não! É materialmente nesta terra além de todas essas trevas, não me enganais não, há vida depois deste triste fim, há sim!! Manifesto subversiva alegria! Hei de cantar e de rir, e de abraçar, e de me alegrar, gargalhar, me divertir, o paraíso é aqui!! The happy end, como haviam nos prometido! E depois do fim será enfim um outro mundo... Nesta vida aqui, pratico subversiva imaginar-ação! Ação! Gravando! Vamos! Dancemos, cantemos, inventemos um novo devir! E há de vir! Somos todes sementes de frondosas árvores, arraigados às nossas raízes (que nunca morrem!), frutificando liberdade doce, sementes espalhadas por pássaros ingaio...

Eu não acredito em meritocracia.

Não largue tudo pra ficar comigo!! Por favor, não tenha medo nenhum de me perder!!! Jamais serei sua, jamais serei de ninguém!!... Ah... Eu sou muito minha!! Tenho praticado subversivo amor-próprio... Minha água é imprópria pra consumo... Não me beba como um refrigerante ou seu último gole de cerveja... Não me procure no final da festa ou no tédio de uma sexta feira... Tb não me prometa o amor de uma vida inteira... Já possuo uma vida toda minha, só minha, cheia de histórias de amor verdadeiro, não tenho como lhe encaixar no lugar de único amor da minha vida... Não me ame se vc não me amar. Não fique se não quiser ficar... Não volte se não quiser voltar... Pratiquemos subversiva liberdade... Que só amemos qnd o coração palpitar... Que estajamos quando quisermos estar... Diga de todo coração que não me ama Que te guardarei de coração como alguém que respeita minha capacidade de me amar e permanecer inteira. Jamais tenha pena de mim. Vc jamais irá me merecer. Eu não a...