Postagens

Carta para o tempo

Procurei em quase todo sorriso tímido pelo qual me encantei a sua timidez, um charme natural. Ainda posso ver você dançando desajeitado, tempos perdidos. Foi ali que eu me encantei, nunca te contei, foi antes mesmo de te conhecer, e a blusa listrada azul e preta, lembrava a do Freddy Krueger. Ainda posso ver seus olhos castanhos, e eu perdida na profundidade daquele olhar que até ali nunca me encarou, e o cinema mudo que se segue nessa cena, até o ônibus do Grajaú atracar. A tempestade que chegou e o guarda chuvas enorme de filme, o som melódico do ritmo da chuva de verão, eu observo o moço tímido com receio do quartel, são dezoito anos e uma estrela do PT no boné. Parece que eu nem ligo, mas observei cada detalhe. Foi a única vez na vida em que eu observei cada detalhe de alguém. A dor do detalhe impregna. Já não chamo mais de dor, chamo de saudade. Saudade tem beleza, felicidade e tristeza, tudo conjugado. E a certeza de que se viveu feliz. E feliz de quem sabe que foi feliz, felicid...

Eu quero a sorte do não querer

Eu quero a sorte de um amor tranquilo... Eu quero fruta do pé... Eu quero desfrutar da paz do não querer. Mas teimo em insistir, em não esquecer. Que o raio que o parta, pra que eu parta desse portal perdido no tempo e no espaço. Já fiz promessa, tomei floral, recorri à filosofia e psicanálise e nessa análise material entendi que o amor romântico só faz mal. Que fique passado no passado, pretérito imperfeito. Imperfeito, já deixei até as idealizações. Tudo em vão. Já disse não, nunca mais, até nunca, jamais. Foi tudo blefe... Sigo perdida, sem rumo, tropeçando em rastros virtuais... Se é mito eu mudo, desmistifico, teimo em não arrancar oculta raiz de todo mal... Que farei de mim sem o mito do amor inicial? E como arrancar parte de si pra partir pro carnaval... Seria mais simples se multidões não multiplicassem meus vazis. Sigo assim calada, de asa quebrada a descansar. Vou seguir, na avenida eu vou sorrir, o sorriso bambo do bom samba de Tom, da avenida de quarta de fim. Sorrindo e sa...

Missão da artista

Minha missão enquanto artista é manter a sanidade nesta vida...

Sétima Arte

A diferença do teatro para o cinema, enquanto plateia, são os aplausos... Por isso a sétima arte é profundamente moderna, abandona-nos à catarse solitária e individual...

Gênesi

A vida é feita de filmes bizarros. Histórias várias. Enredos mil. Mistura entre História e Literatura, a diferença está em que uma imita a outra, mas ninguém sabe o que é o ovo, o que é a galinha.

Meia noite

No ponto da meia noite, caminho entre dois mundos da hora inexata que não é dia nenhum. Perdida ou encontrada, em encontros e desencontros com outros seres e com meu próprio ser, que não sei para qual me levam, e que me resta ir... O ponto da meia noite que não cabe na vida dos indecisos adormecidos controlados mal amados, reprimidos. Há de se ter muita coragem pra se caminhar no rumo da zero hora.

Essa quadrilha de Drummond é só literatura

Vem aplacar sua angustia e confusão nos meus braços...Desistamos de compreender, existamos, basta ser... Que essa quadrilha de Drummond é só literatura. Meu amor, a vida é dura, a vida é curta pra nos perdermos em tantas confusões enquanto a noite só espera um abraço apertado em silêncio tranquilo... Chega de desamor.