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Papo de buteco...

Madrugada a dentro e os pensamentos não param... E por hora a fora, escola a dentro relembro (retomo?...) minhas paixões adolecentes por outros olhos... Olhos de outros? Não. Outros olhos. Meus mesmo, mas outros. Outros como sou outra... Até porque, outrora não me imaginava assim... E penso quando é que esquecemos de ser tão apaixonados, tão ricos, tão enérgicos, quando é que deixamos de viver com tanta energia, dia-a-dia, carpe diem... É de tanto nos lembrarem, como eu os lembro, que na vida é preciso se pensar o amanhã... Ainda assim tenho dentro de mim que pensar sim no amnhã é preciso, mas insisto em sentir tempo presente... E no mais não estou ausente de mim, do lugar de aprender, escolar-se, descolar-se, conhecer, sentir, amar, conviver, viver... Aprender. É por isso que ensino, pelo tanto que aprendo, me surpreendo, me sinto viva!... E como se aprende na mesa do bar, só se pensa no amanhã na hora da ressaca!!!... Então, não aprendo e nem ensino pro futuro, é pra agora, pra todo ...

Xxxiiiiuuuuuu!!!

SILÊNCIO!!! Na verdade, na verdade, não tenho nada a dizer. (Assim como todos nós.)

Respiração

Nenhuma metáfora me vem à cabeça... Queria cantar, ouvir música, fazer música... Qualquer arte impensada inundada de tantos pensamentos... Respiro fundo, é respiração tão só. Não é canto ou meditação... é respiração tão só. Tentando desatar um nó constante no peito... Nada feito. É sempre assim... quando se respira e abre a boca pra falar mas não se fala... se cala, se perde as palavras... E era tanta coisa, tanta coisa pra falar... Incomunicáveis. Eu diria que de tudo quanto existe (só do irrisório mundo que vive em mim...), pouco existe para fora. Chega hora que é difícil comunicar esse tanto, encanto, teor de vida. Divina. A palavra é qualquer coisa divina e profana, que elucida e engana, nesse jogo de falar e calar.

Orações

Tenho tanta coisa pra dizer! Tanta coisa!... O quê?... Não sei bem... palavras ainda não nascidas. Um montão de orações insubordinadas.

Passos

Descompasso. No meu passo a passo. Descompasso. Quisera ser uma bailarina e dançar aquela trilha de fazer chorar... Mas descompasso. Falta com no passo... Quisera ser mais social, sociabilizada, intrigada, envolvida na vida entre tantos artistas; mas descompasso. Eu ando outro tempo. Eu quis muito e tanto e talvez ainda queira alguma besteira, ser mais legal. Mas descompasso. Falta-me ritmo. Já aprendi a dançar a dois, mas não sei se mais... Talvez o meu passo a passo nessa trilha seja procurar o compasso com outros, coreografar... Falta-me corpo, sobra-me língua... Afiada feito navalha, nem sempre sabe dizer sem machucar... E só sei falar a quem sabe dançar dança das línguas... Porém e todavia, ainda não inventaram coreografia nas conversas, só na música, então, descompasso. Talvez seja desconexo esse meu blá-blá-blá, talvez, sei lá... Procuro minha trilha, continuo a procurar... Procurar não caminhar o passo da dança, e com balanço coreografar, deixar de dançar à sós... Apesar de gos...

Um blues misturado com samba...

Passo a passo obscuro pelo mundo afora (q devora...), e um barulho aterrador... num momento a luz brilha (é o palco escuro...), e se toca uma música (um blues misturado com samba...). Abre alas que é na avenida, não a do sambódromo, qqr avenida congestionada das 6h da tarde de São Paulo... e todos saem dos carros naquela garoa barulhenta (daquelas q lavam a alma!...) e ninguém se agüenta, todo mundo dança na alegria do samba, todo mundo chora na tristeza reflexiva do blues... É incrível, mas nesse momento rhythm and blues todos pensam... E eu não estou a sós no mundo.

Um volta por aqui dentro...

Seria fato essa angústia uma falta de criar... Afinal a falta de criatividade tá na base do trabalho alienado (muito marxista isso!!!...) Seria Marx o tal culpado dessas crises de pânico que assombram a população... (ou o que ele disse...) Medo da morte, de uma morte viva, dessa morte viva. Como descrever o que sinto (já fui tão boa nisso, nesse lapidar das palavras pra comunicar esse incomunicável calado e assombrado que reside em mim...). Sinto medo, pânico. É dessa não-vida, dia-dia inexpressivo por essa falta de expressaõ, expressividade que me é negada pela podidez a que estou condenada, pois ouvir aos outros só se tem sido possível quando se pode entender, e quem irá me entender???... Críticas, só se construtivas. Mas eu quero mesmo são as destrutivas, é pra destruir esse mundo hipócrita criado ao nosso redor...(e pior, por vezes e vezes dentro de nós...). Quero roê-lo e corroê-lo. Um mundo onde uma mulher está sujeita à violência (física e nõ-fisica) pela roupa (casca, aparência...