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Respiração

Nenhuma metáfora me vem à cabeça... Queria cantar, ouvir música, fazer música... Qualquer arte impensada inundada de tantos pensamentos... Respiro fundo, é respiração tão só. Não é canto ou meditação... é respiração tão só. Tentando desatar um nó constante no peito... Nada feito. É sempre assim... quando se respira e abre a boca pra falar mas não se fala... se cala, se perde as palavras... E era tanta coisa, tanta coisa pra falar... Incomunicáveis. Eu diria que de tudo quanto existe (só do irrisório mundo que vive em mim...), pouco existe para fora. Chega hora que é difícil comunicar esse tanto, encanto, teor de vida. Divina. A palavra é qualquer coisa divina e profana, que elucida e engana, nesse jogo de falar e calar.

Orações

Tenho tanta coisa pra dizer! Tanta coisa!... O quê?... Não sei bem... palavras ainda não nascidas. Um montão de orações insubordinadas.

Passos

Descompasso. No meu passo a passo. Descompasso. Quisera ser uma bailarina e dançar aquela trilha de fazer chorar... Mas descompasso. Falta com no passo... Quisera ser mais social, sociabilizada, intrigada, envolvida na vida entre tantos artistas; mas descompasso. Eu ando outro tempo. Eu quis muito e tanto e talvez ainda queira alguma besteira, ser mais legal. Mas descompasso. Falta-me ritmo. Já aprendi a dançar a dois, mas não sei se mais... Talvez o meu passo a passo nessa trilha seja procurar o compasso com outros, coreografar... Falta-me corpo, sobra-me língua... Afiada feito navalha, nem sempre sabe dizer sem machucar... E só sei falar a quem sabe dançar dança das línguas... Porém e todavia, ainda não inventaram coreografia nas conversas, só na música, então, descompasso. Talvez seja desconexo esse meu blá-blá-blá, talvez, sei lá... Procuro minha trilha, continuo a procurar... Procurar não caminhar o passo da dança, e com balanço coreografar, deixar de dançar à sós... Apesar de gos...

Um blues misturado com samba...

Passo a passo obscuro pelo mundo afora (q devora...), e um barulho aterrador... num momento a luz brilha (é o palco escuro...), e se toca uma música (um blues misturado com samba...). Abre alas que é na avenida, não a do sambódromo, qqr avenida congestionada das 6h da tarde de São Paulo... e todos saem dos carros naquela garoa barulhenta (daquelas q lavam a alma!...) e ninguém se agüenta, todo mundo dança na alegria do samba, todo mundo chora na tristeza reflexiva do blues... É incrível, mas nesse momento rhythm and blues todos pensam... E eu não estou a sós no mundo.

Um volta por aqui dentro...

Seria fato essa angústia uma falta de criar... Afinal a falta de criatividade tá na base do trabalho alienado (muito marxista isso!!!...) Seria Marx o tal culpado dessas crises de pânico que assombram a população... (ou o que ele disse...) Medo da morte, de uma morte viva, dessa morte viva. Como descrever o que sinto (já fui tão boa nisso, nesse lapidar das palavras pra comunicar esse incomunicável calado e assombrado que reside em mim...). Sinto medo, pânico. É dessa não-vida, dia-dia inexpressivo por essa falta de expressaõ, expressividade que me é negada pela podidez a que estou condenada, pois ouvir aos outros só se tem sido possível quando se pode entender, e quem irá me entender???... Críticas, só se construtivas. Mas eu quero mesmo são as destrutivas, é pra destruir esse mundo hipócrita criado ao nosso redor...(e pior, por vezes e vezes dentro de nós...). Quero roê-lo e corroê-lo. Um mundo onde uma mulher está sujeita à violência (física e nõ-fisica) pela roupa (casca, aparência...
"... mas louco é quem me diz que não é feliz ..."

Eu preciso de silêncio.

Eu preciso tanto de silêncio mas o barulho do silêncio é tão ensudercedor! Eu falo tanto com os outros, mas comigo mesma eu grito, grito, grito! Grito numa violência exagerada uma angustia sufocada e penso: Meu Deus, o que será que será???... É que eu só queria amar. Eu amo tanto a liberdade que me invade essa falta de amor. Porque meu amor morreu ou vai ver ele nunca nasceu. O que será que será???... Idaguei outro dia sobre o que seria o amor (ou a minha querida tal liberdade...). Descobri que não sei exatamente o que é. De fato, eu só sei o que não é. Mas talvez isso já seja suficiente. Seja uma marca de personalidade, porque por vezes tenho essa mesma sensação, de não saber quem sou, mas saber exatamente o que não sou. Então, minha amada existe e é até quase carne e osso. Basta então ela nascer, renascer (não sei bem se é caso de reencarnação e ou se gerar de verdade...). Mas o que é certo é que é um parto! Ou aborto? Sinto por vezes que ela é abortada... até em mim (seria meu amor ...