terça-feira, 12 de maio de 2009

Ensaio sobre a cegueira

Espectadores. Acostumamo-nos com esta posição. A de olhar sem ver, sem exigir-se qualquer ação. Em vão, nossos olhos são agora então em vão. Bombardiados de imagens cegaram. Chegaram ao ponto do não reconhecimento, é o tempo da não identidade, falta de identificação. Espectadores, à espera. À espera da próxima imagem, catástrofe ou não, em vão... é só pra ver, não pra olhar, enxergar, sentir, ressentir, magoar, agitar, acionar, partir. É só pra assistir...ou melhor, pra assistir à, não pra assistir. Assassinatos, roubos, violências mútiplas e de todas as partes, misérias, não mais misérias criadas, articuladas, gravadas agora ao vivo e a cores. Que cores? As cores agora por hora também são raras...Tá na cara e parece até que assim é sempre verdade, um alarde, mas só um alarde, nada que dispare. E a arte? Na maior parte, nada que arte cule, apenas mais um cotidiano, agora em imagens, imagens, imagens, que nos anestesiaram, nos engessaram, nos espectadorizaram. Há de se espectorar, botar pra fora todo esse todo contagioso e enganoso, escatológico, catarrento. Feche os olhos! Esqueça São Tomé. Guie-se por outros sentidos e terás sentido, sentidos. Ensaiemos sobre a cegueira e poderemos não ser mais apenas (tele) espectadores.

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