domingo, 14 de novembro de 2010

Água, árvores, pássaros

Água, árvores, pássaros...
Teria tanto a dizer mas são esses tons que me vêm à cabeça...
Talvez seja pelo tempo escasso que tenho tido em dizer-me e sobre o mundo por aqui. Há tantos temas e que perpassam mas as palavras tem fugido de mim... E me fogem porque não as prendo, porque as suspendo da minha agenda secular... Tempo pra pensar, tempo pra dizer. E a palavra tempo me vem incessante à cabeça pela falta que lhe tenho... Falta-me tempo.
Questões políticas, filosóficas, existenciais... Mas quando paro como agora que é hora de criar, deixo-me recriar, esqueço-as todas, purifico-me...
Talvez seja porque esse pouco tempo é um ato particular, e divulgar minhas ideias seja deveras cansativo pelo que ando a suportar...
Um mundo calado e intangível... Que é silêncio de tanto barulho... que "fala demais por não ter nada a dizer"... sinto-me só por minhas ideias e ideais... Não só de solitária, pois aqueles que amo, em boa parte, compactuam comigo. A sós com o mundo, deparada com a burrice preguiçosa alheia, um mundo de falta de vontade, preguiça de pensamento.
E esse sentimento de desolamento me assola, numa repetição de escuta, ouço muitas falas que me chegam "made in tecnology", e-mail e afins, mas que monologo, posto que o diálogo não é a intenção de meus interlocutores (des) conhecidos.
Conhecidos que desconheço, não reconheço, não legitimo...
Intimidade que se torna invasão de privacidade, obrigam-me a ouvi-los mas não me deixam falar (posto que o diálogo necessita de interesse e intenção de escuta...).
Árvores, água, pássaros... Deve ser essa ausência de humanidade que me traz calma, paz.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Papo de buteco...

Madrugada a dentro e os pensamentos não param...

E por hora a fora, escola a dentro relembro (retomo?...) minhas paixões adolecentes por outros olhos...

Olhos de outros? Não. Outros olhos. Meus mesmo, mas outros. Outros como sou outra...

Até porque, outrora não me imaginava assim...

E penso quando é que esquecemos de ser tão apaixonados, tão ricos, tão enérgicos, quando é que deixamos de viver com tanta energia, dia-a-dia, carpe diem...

É de tanto nos lembrarem, como eu os lembro, que na vida é preciso se pensar o amanhã...

Ainda assim tenho dentro de mim que pensar sim no amnhã é preciso, mas insisto em sentir tempo presente...

E no mais não estou ausente de mim, do lugar de aprender, escolar-se, descolar-se, conhecer, sentir, amar, conviver, viver...

Aprender. É por isso que ensino, pelo tanto que aprendo, me surpreendo, me sinto viva!...

E como se aprende na mesa do bar, só se pensa no amanhã na hora da ressaca!!!...

Então, não aprendo e nem ensino pro futuro, é pra agora, pra todo agora em que se sente que faz sentido o viver...

Eu gosto mesmo é das rodas da vida!...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Xxxiiiiuuuuuu!!!

SILÊNCIO!!!

Na verdade, na verdade,
não tenho nada a dizer.

(Assim como todos nós.)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Respiração

Nenhuma metáfora me vem à cabeça...
Queria cantar, ouvir música, fazer música... Qualquer arte impensada inundada de tantos pensamentos...
Respiro fundo, é respiração tão só. Não é canto ou meditação... é respiração tão só. Tentando desatar um nó constante no peito...
Nada feito. É sempre assim... quando se respira e abre a boca pra falar mas não se fala... se cala, se perde as palavras... E era tanta coisa, tanta coisa pra falar... Incomunicáveis. Eu diria que de tudo quanto existe (só do irrisório mundo que vive em mim...), pouco existe para fora. Chega hora que é difícil comunicar esse tanto, encanto, teor de vida.
Divina. A palavra é qualquer coisa divina e profana, que elucida e engana, nesse jogo de falar e calar.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Orações

Tenho tanta coisa pra dizer! Tanta coisa!...
O quê?...
Não sei bem... palavras ainda não nascidas.
Um montão de orações insubordinadas.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Passos

Descompasso. No meu passo a passo. Descompasso. Quisera ser uma bailarina e dançar aquela trilha de fazer chorar... Mas descompasso. Falta com no passo... Quisera ser mais social, sociabilizada, intrigada, envolvida na vida entre tantos artistas; mas descompasso. Eu ando outro tempo. Eu quis muito e tanto e talvez ainda queira alguma besteira, ser mais legal. Mas descompasso. Falta-me ritmo. Já aprendi a dançar a dois, mas não sei se mais... Talvez o meu passo a passo nessa trilha seja procurar o compasso com outros, coreografar... Falta-me corpo, sobra-me língua... Afiada feito navalha, nem sempre sabe dizer sem machucar... E só sei falar a quem sabe dançar dança das línguas... Porém e todavia, ainda não inventaram coreografia nas conversas, só na música, então, descompasso. Talvez seja desconexo esse meu blá-blá-blá, talvez, sei lá... Procuro minha trilha, continuo a procurar... Procurar não caminhar o passo da dança, e com balanço coreografar, deixar de dançar à sós... Apesar de gostar da melancolia dos solos, da beleza dos duetos, da profundidade dos monólogos.