terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um blues misturado com samba...

Passo a passo obscuro pelo mundo afora (q devora...), e um barulho aterrador... num momento a luz brilha (é o palco escuro...), e se toca uma música (um blues misturado com samba...). Abre alas que é na avenida, não a do sambódromo, qqr avenida congestionada das 6h da tarde de São Paulo... e todos saem dos carros naquela garoa barulhenta (daquelas q lavam a alma!...) e ninguém se agüenta, todo mundo dança na alegria do samba, todo mundo chora na tristeza reflexiva do blues... É incrível, mas nesse momento rhythm and blues todos pensam... E eu não estou a sós no mundo.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Tempos (bem mais...) Modernos

Me elogiando ainda pouco a uma colega, falando de minhas decepções com esse mundo corporativo em que estou enfiada nessas escolas de idiomas, fiquei pensando depois se ela não iria ficar pensando que sou muito arrogante, que "me acho demais"... Mas pensando bem, as pessoas que se acham de menos, todos somos demais pra esse mundinho pequeno que criamos... Tvz dai essa sensação de deslocamento, de aperto, de sufoco... esse pânico claustrofóbico...

E essa atual mania de positivismo (no sentido de: "pense positivo!", "seja feliz!", "você faz suas escolhas!"...) insiste que podemos nos adequar... temos que curar nosso pânico! Fazer terapia, entender o porquê estamos assim e nos AJUSTAR (pessoas desequilibradas são improdutivas, é só por isso!!!...). É só mais uma maneira de te fazer se convencer de que não vê o que vê... de que o mundo é grande e nós fazemos nossas escolhas...

Só que ninguém quer aumentar, alargar, expandir esse mundinho que roda ainda (com alguma maquiagem...) como aquela máquina do "Tempos Modernos"...

Um volta por aqui dentro...

Seria fato essa angústia uma falta de criar... Afinal a falta de criatividade tá na base do trabalho alienado (muito marxista isso!!!...) Seria Marx o tal culpado dessas crises de pânico que assombram a população... (ou o que ele disse...) Medo da morte, de uma morte viva, dessa morte viva. Como descrever o que sinto (já fui tão boa nisso, nesse lapidar das palavras pra comunicar esse incomunicável calado e assombrado que reside em mim...). Sinto medo, pânico. É dessa não-vida, dia-dia inexpressivo por essa falta de expressaõ, expressividade que me é negada pela podidez a que estou condenada, pois ouvir aos outros só se tem sido possível quando se pode entender, e quem irá me entender???... Críticas, só se construtivas. Mas eu quero mesmo são as destrutivas, é pra destruir esse mundo hipócrita criado ao nosso redor...(e pior, por vezes e vezes dentro de nós...). Quero roê-lo e corroê-lo. Um mundo onde uma mulher está sujeita à violência (física e nõ-fisica) pela roupa (casca, aparência) que usa. (isso só pra citar algo prático, sem mencionar que isso é apenas uma alusão ao fato realizado do que se comete dia após dia implicitamente). Por que, com esse calor absurdo, não posso trabalhar de havaianas (q é top! cara...)???... Questãozinha tola???... Essa é só a ponta do iceberg... São tantos porquês e nem espero que me venham as respostas... Eu só queria postá-los (esses velhos mesmos porquês de sempre, sempre sem respostas ou soluções, tvz...), q há tempos não os vejo por aqui pronunciados (tvz estavam lá já calados - calejados de rejeitados aqui fora - dentro de mim...).

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Eu preciso de silêncio.

Eu preciso tanto de silêncio mas o barulho do silêncio é tão ensudercedor!
Eu falo tanto com os outros, mas comigo mesma eu grito, grito, grito! Grito numa violência exagerada uma angustia sufocada e penso: Meu Deus, o que será que será???...
É que eu só queria amar.
Eu amo tanto a liberdade que me invade essa falta de amor. Porque meu amor morreu ou vai ver ele nunca nasceu. O que será que será???...
Idaguei outro dia sobre o que seria o amor (ou a minha querida tal liberdade...).
Descobri que não sei exatamente o que é. De fato, eu só sei o que não é. Mas talvez isso já seja suficiente. Seja uma marca de personalidade, porque por vezes tenho essa mesma sensação, de não saber quem sou, mas saber exatamente o que não sou.
Então, minha amada existe e é até quase carne e osso. Basta então ela nascer, renascer (não sei bem se é caso de reencarnação e ou se gerar de verdade...).
Mas o que é certo é que é um parto!
Ou aborto? Sinto por vezes que ela é abortada... até em mim (seria meu amor uma filha também???...)
Outro dia disse algo como isso, quando questionada sobre uma carta de valores onde só caberiam 5 iténs, e onde a decisão não era só minha. Dai resmunguei: sempre que precisam tirar alguma coisa, por mais nobre que seja a causa, sempre nos tiram a liberdade!...
Pois é assim...Às vezes sinto esse vazio de um amor que quer nascer e o espero, mas ele não nasce!
Onde andará meu amor?...
Sei apenas que ele é fruto possível de muitos ventres, gerado em muitos ventres, abortado em muitos ventres.

...

Eu preciso de silêncio.

sábado, 19 de setembro de 2009

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Vida de Gado

Ando lendo muito Nelson Rodrigues... Fui contaminda por sua síndrome cronista... Hoje no trem visualizei essa crônica... A cena é simples, simplesmente cotidiana de paulistanos sem carro a caminho do trabalho às 7h30 da manhã... Mas hoje não foi dia de todo dia, dia-a-dia, houve uma novidade: algum trem quebrara na primeira manhã. Acontece às vezes, muda tudo. O trem que passa precisamente de 5 em 5 minutos (nesse horário em que todos saimos de casa rumo ao trabalho), sistematicamente de 5 em 5 minutos, passou a 15, e as pessoas se amontoavam nas plataformas. E a angústia mutiplicava nos corações. Como é desesperador um dia que não foi programado de acordo com o grande relógio virtual da cidade que não para! Dentro do trem, a situação de gado que somos trasnsportados diariamente e que é sublimada, esquecida todo dia foi verbalizada... (Foi no transporte público que eu descobri que aquela lei da física "dois corpos não ocupam um mesmo lugar ao mesmo tempo" poderia ter-se equivocado um pouco, coisas de papel e teoria, uma voltinha às 6 da tarde num dia e já desmentiria...) Enfim, um pobre coitado desses rapazes bem educados disse: "Não empurra gente, a gente não precisa se tratar desse jeito!" A gargalhada foi geral. (Bem que disse que saímos do dia-a-dia, do programado, num dia normal a gente não ouve, não vê e não fala com ninguém, a não ser que já se conheça a pessoa. As risadas dos absurdos que se ouve são discretamente internas...). Poxa... eu pensei, coitado! Esse menino foi mal educado, falar de educação em trem é falta de educação! Não teria ele razão? Seria preciso empurrar-nos daquele jeito? Na hora de sair estava tão longe da porta que não visualizei como desceria... Pedi licença ao rapaz da minha frente e, num movimento delicadamente cinematográfico, troquei de lugar com ele, depois fiz o mesmo com outra moça ("Você vai descer nessa estação? Não? Me dá licença, por favor.") e outra e derrepente estava logo atrás dos que também desceriam. Virei pra uma moça atrás de mim e disse: "um cadinho de educação ainda resolve!".
Poderia acabar por aqui a minha pretensa crônica, porém, dessa forma pareceria que a "moral da história" seria que a eduação vem de berço. Não, não. Essa situação não é um simples problema de educação pessoal!...
Esqueci de me referir a uma outra cena matinal, do trem de hoje. Quando o moço disse isso e todos se riram, também sai de dentro de dentro de mim e pronunciei (só pro senhor que, sentado, segurava uma de minhas bolsas - afinal, professor sempre está cheio de coisas...): "Deviamos pegar toda essa raiva e ir reclamar na CPTM, ou lembrar na hora da eleição quando fizerem a propaganda da qualidade do trem (é que esse trem tem a metade do número de vagões do que poderia e deveria...)". Se fosse outro dia qualquer só quem me daria ouvidos, ao menos aparentemente, seria o senhor que segurava minha bolsa, mas, algum tempo depois surgiria a primeira irônia: "tem gente que quer andar de trem e quer tá confortável, vai de jegue, de avião." "Vamos lá reclamar, dai volta a surfar no trem que nem na minha época. Vamos lá fazer protesto, parar tudo, vai resolver muito...". Eu tive vergonha do que disse no primeiro minuto, e era tão triste ser tão utópica... Mas respirei fundo e pensei que isso é que é democracia, falamos é pra ouvir mesmo. Mas, o que mais me lembra Nelson Rodrigues nisso tudo é que lembro da última crônica dele que li, na qual ele dizia da triteza de Bloch ao voltar de uma visita à Russia e dizer "eles ainda comem três pepinos" e outro alguém replicar "na época do czar era só um!". Seria muito distante comparar isso com "Vamos lá reclamar, dai volta a surfar no trem que nem na minha época."???...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Eu vejo gente morta!

Eu vejo gente morta! Enxergo a todo tempo mortos sociais. Incomunicáveis com sua própria vida e sociedade, consigo mesmos, os mortos sociais soam como aparições. Até assustam quem os enxerga de vez em quando. E precisam de mediunidade para que alguém escreva sobre eles, sobre suas histórias (que não são estórias...) pq como sem-vidas, foi-lhes tirado o próprio direito de comunicação, direito de serem ouvidos quando falam por falarem qualquer linguagem inaudível em nossa sociedade. Ainda mais agora na era virtual, em que vivemos virtualmente, esses vão de fato morrer para o mundo. Vão continuar precisando de médiuns que lhes transcrevam as vidas... E nessas horas é que acho que de fato existem universos paralelos...

sábado, 25 de julho de 2009

O sentido (s) da vida.

A velocidade da vida tão somente aumenta a velocidade dos meus pensamentos e dos meus sonhos... e a mutiplicidade dela (vida) tão somente os mutiplica...E eu quero tanto, com tanto encanto que espero que não se desencante o fato de eu não esperar por qualquer mágico encanto, encantamento. No momento vou com o vento plantando sementes que, ao menos uma delas, deve nascer. Agarro a vida, desesperada, para que vida seja dada, gerada, que se encontre um modo que vivamos, mesmo que a morte vá chegar. Algo além de nós sempre vive. Eu não espero por outra vida, ainda que mil possibilidade de tantas coisas existam (fim do mundo, aquecimento global, extraterrestres, vida pós-morte, reencontro com Deus, universo paralelo...) eu quero simplesmente dar vida a esta vida que estou vivendo, o resto fica pra depois, pq, no fim das contas o que importa são as relações verdadeiras, nossos encontros, desencontros e reencontros, encontros...seja com natureza, família, pai, mãe, irmãos, vizinhos, amigos, amores, amor, colegas de trabalhos, ambulantes, transeuntes...para tudo isso há de se haver verdade! Nem que verdade para si mesmo...no fim de todas as teorias, o que importa é o que se influencia no dois a dois, no algo mais que se traz às relações, nas mudanças capazes de se gerar nas outras vidas e na qualidade delas, observe, essa é a base de toda teoria, e esse é o real encontro com Deus, consigo, com o mundo, com a natureza, com a paz, com a educação, a literatura, a arte, a poesia; com o amor.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

São Paulo

Pessoas, pessoas, pessoas. Muitas pessoas. Muito barulho. Muito. + q beaucoup, c'est trop!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Ser eu

Eu poderia ser normal, normal de norma, normativo, normalidade, mediocridade (mediano, igual a média...). Eu poderia ter cabelos longos, chapinha, luzes, botas, salto alto, sapatos, sapatos, sapatos, maquiagem, roupa da moda, jóias, unhas pintadas, casa arrumada, cartão de crédito a pagar, bolsas e mais bolsas. E barriga tanquinho, peso 50, depois de horas e horas de academia 5 vezes por semana, mais cabalereiro uma, manicure duas. Eu poderia sim ser assim, tão assim, tão assim assim. Mas não sou do sim. Não sou assim. Eu poderia ser, mas resolvi ser, ser um ser, ser de verdade. Escolhi eu sou, ao invés do poderia ser. Eu escolhi ser, ser eu. Sou do não sou assim.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Mais

Estupenda, estupefata, luxuriante, indomável, angelicalmente inacreditável...uma mentira ambulante, uma verdade impronunciável, um contraste operante, impossível! Mas é a mais pura verdade! Uma humanidade humana e humanamente pura e torpe. No que se esconde e a quem calhe, que se cale, a que serve esses implurais impossíveis, essa exatidão pobre, esses certos e errados, pólos feitos de costumes de desamor, pq o amor em suas infimas significações e possibilidades só pode ser plural!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Amor

O amor é mesmo assim! Como assim? Assim. Assim sendo... só poderia ser assim. Assim assim. "Que tal assim? Que tal, assim? Que tal? Assim?..." Por assim dizer, assim. Desse mesmo jeito de sempre. Amor.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ensaio sobre a cegueira

Espectadores. Acostumamo-nos com esta posição. A de olhar sem ver, sem exigir-se qualquer ação. Em vão, nossos olhos são agora então em vão. Bombardiados de imagens cegaram. Chegaram ao ponto do não reconhecimento, é o tempo da não identidade, falta de identificação. Espectadores, à espera. À espera da próxima imagem, catástrofe ou não, em vão... é só pra ver, não pra olhar, enxergar, sentir, ressentir, magoar, agitar, acionar, partir. É só pra assistir...ou melhor, pra assistir à, não pra assistir. Assassinatos, roubos, violências mútiplas e de todas as partes, misérias, não mais misérias criadas, articuladas, gravadas agora ao vivo e a cores. Que cores? As cores agora por hora também são raras...Tá na cara e parece até que assim é sempre verdade, um alarde, mas só um alarde, nada que dispare. E a arte? Na maior parte, nada que arte cule, apenas mais um cotidiano, agora em imagens, imagens, imagens, que nos anestesiaram, nos engessaram, nos espectadorizaram. Há de se espectorar, botar pra fora todo esse todo contagioso e enganoso, escatológico, catarrento. Feche os olhos! Esqueça São Tomé. Guie-se por outros sentidos e terás sentido, sentidos. Ensaiemos sobre a cegueira e poderemos não ser mais apenas (tele) espectadores.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Aniversário

Ariana do lado de baixo do Equador, nasci no outono. Do mês de abril sai como sairam muitos poetas mauditos antes de mim: Rimbaud, Baudelaire, Renato Russo, Cazuza. Mas tenho ainda a suavidade do outono cantado por Quintana... Dessa mistura de áries e outono que só é possível à brasileira, do lado Sul do mundo, é que eu nasci. É que sou bem assim. Bem Áries. Bem Outono. E ainda nasci depois das 22 horas; então, só poderia ser Boêmia! Meu lado do dia é deveras diferente do da noite, e esse agito preguiçoso só poderia ser outono! E essa contradição toda só poderia ser de ariana! Áries ascendente capricórnio... Ainda mais do dia 7... Plena perfeição!...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Ser

Ser o que se vê. Ser o que se é. O que se vê é o que se é? O que se é é o que não se vê? Não se vê o que se é? Só se vê o que se quer ver? Ser o que se quer ver? Ver o que se quer ser? Ser o que se quer ser mas que não se quer ver? Ser é o que se vê? Se vê o que é um ser? Ser é ser sem ver? Ser só é quando se vê? Ver nem sempre é o que se é? Ser é o que se vê ou ser é o que se é?

Comunicação

Já falei sem parar. Já silenciei. Já gritei loucamente. Já calei e falei tudo para dentro. Agora espero a hora de poder me ouvir... Eu tentei me dizer, me explicitar, tentei explicar tudo que era incalável e numa violência inexplicável rompia em mim; não consegui. Então implodi. E por ninguém ouvir, desencanei e nem liguei, passei a nada explicar, a nada dizer, apenas fazer. E descobri que os atos sem respaldo, sem embasamento, são um tormento e perfeito pretexto a que quer emprestar-te palavras, dizer por ti o que não justificas de tua ação...Nada então...Calei. Calejei. Numa esperança profunda de que o silênio diga o que se não pode explicar...E que se descubra que quem cala não consente. Apenas sente. Sentir que palavras demais, palavras a mais são fúteis e infrutíferas... Sente que não se entenda, que não se sinta. Que não se ouça uma voz rouca já cansou de tanto de gritar, de tanto falar e agora sussurra o que esse barulho ensurdecedor da sociedade moderna, pós moderna, demodé, não consegue ouvir...

segunda-feira, 16 de março de 2009

Revolução

casa. varanda. rede. chero de café. caneta. papel. idéias. sentidos. amor. gosto. chero. calor. frescor. agrado. música. violão. discos. poesias. livros. jardim. bichos. humanidade. saciedade. histórias. pequena grande sociabilidade. pequenas grandes revoluções se fosse de todos um pouco desses a dois.

Mulher na História do Homem.

Mulher.
Não mãe, nem modelo, nem vitrine, nem carne, nem só corpo, nem só alma feminina, nem só coisas de mulher, tpm, vaidade, sensibilidade, fragilidade, muitas palavras. Nem só.
Não sou só o que o Homem fez com o mundo. Não sou apenas a costela de Adão, o lado errado de tudo, a fonte do pecado, o sexo frágil, a reprodutora, a santa, pura, virgem, puta. Quantas mulheres (r)existem na História do Homem? No mundo do Senhor? Senhor, Pai, Deus e também Homem. Quantas mulheres (r)existem na História dos Homens? A virgem e a puta. A virgem ou a puta. Onde ficaram as Marias que não são nem aparecidas nem madalenas? Aparecida ou Madalena arrependida, foi isso que restou da mulher na História dos Homens? Ah, a graça da mulher! Ah, o dom de ser mãe! Ah, a perdição do homem! Ah, coisas de mulher! (o bicho estranho que sangra todo mês e não morre...). Aquela que pode chorar (que só pode chorar...)... O escasso senso do ser humano, da humanidade. O escasso senso de ser (ser verbo, que na bela língua portuguesa não aceita flexão de gênero...). S-er. Mulh-er. É. Mulhé! Poderia ser apenas mais um ser, se na infancia não fosse aprender a cuidar das bonecas-filhos, das bonecas-fúteis. Não fosse não poder sair de casa com tranquilidade por ainda a terem por sexo frágil, à espera da brutalidade. Não fosse por todos a esperarem Maria, Madalena. Não fosse difícil se livrar do Maria X Madalena. Ser além de mãe, ser além de puta. Ser além. Ser além da maquiagem, ser além de paisagem. Ser. Porque sempre fostes, és, mas ainda tratam como se não fosses. E te nomeiam de Maria em Maria, Maria Madalena, Maria Aparecida, Maria Amélia... Onde estás na História dos Homens Adélia? Maria da Penha? Simone, Joana, Sofia... Onde estamos que ainda diz-se História do Homem???...

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Perdicao

Perdi-me muitas vezes...perdi-me muitas tantas vezes...perdi-me sem ter-me achado, perdi-me...
Encontrei-me com muita gente interessante, com muitas almas desgarradas, amargadas ou insipientes diante do sabor da vida...
Perdi-me tanto que me encontrei em um qualquer caminho que nao fosse fuga...(e eu ainda nem tenho rugas...) encontrei-me num qualquer caminho a se seguir...encontrei-me por andar perdida e andar sozinha, na compahia da solidao...
Outras tantas vezes a solidao fora a melhor amiga, a mais compreensiva nessa imensa inexatidao...fora melhor que os amigos torpes desalmados encerrados em sua condicao de a-sos com o mundo...e num encontro vagabundo fazer-se mundo no mundo alheio...
Num vagueio de fantasia perdi-me por nao achar-me nesse mundo, num caso confuso entre realidade e ficcao...nesse iludido mundo realista, perdi-me,perdi-me, certa de estar achada...
Eu dancei com a vida um dueto ardente, um baile indolente, mistura de tango e valsa, num passo caracao. Eu dei-me a todos meus momentos, eu dei-me a tudo, e cansei-me de tanto,da intensidade pura que causa tanto amargura quanto satisfacao...
Mas que candura e quanta escuridao...
Perdi-me, perdi-me e tantas outras vezes me perderia para encontrar a sensacao...
Sentir...como senti tanto...e senti tanto e senti tanto...
E sentiria se nao me tivesse achado perdida e por ter-me achado nessa condicao, achei minha perdicao...achei e assim nao era mais perdida...e por ter me achado assim achei-me nesta vida, num gesto involuntario passei de perdida a achada...mas que perdicao!!!
Quando se descobre o caminho torna-se muito mais dificil perder-se outra vez.... sair sem direcao...

domingo, 4 de janeiro de 2009

POIS E

Pois é, não deu
Deixa assim como está sereno
Pois é de Deus
Tudo aquilo que não se pode ver
E ao amanhã a gente não diz
E ao coração que teima em bater avisa que é de se entregar o viver
Pois é, até
Onde o destino não previu
Sei mas atrás vou até onde eu consegui
Deixa o amanhã e a gente sorri
Que o coração já quer descansar
Clareia minha vida, amor, no olhar

Los Hermanos.